Publicado em: 08/02/2010
Caravana da Anistia em São Paulo
A abertura da 33ª edição da Caravana da Anistia do Ministério da Justiça foi marcada pela emoção dos participantes – a maioria de perseguidos políticos e de seus familiares. Realizada pela 1ª vez em São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, ligado à Força Sindical, a Caravana homenageou os trabalhadores grevistas que desafiaram a ditadura, lutando pelas liberdades democráticas.
A programação constituiu na realização de uma sessão de memória, além de quatro turmas de julgamento para analisar 88 pedidos de anistia de metalúrgicos e militantes políticos que foram perseguidos pelo regime militar em São Paulo e região, entre 1964 e 1985.
Para o vereador Eliseu Gabriel que participou do ato, a tortura é crime e, portanto os torturadores devem ser punidos. “ Queremos justiça. Não se trata de revanchismo”, afirma.
O presidente do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, Raphael Martinelli disse em seu pronunciamento que além de identificar os torturadores é preciso identificar as empresas que financiaram a repressão.
O ministro Tarso Genro, da Justiça, afirmou que a Comissão da Anistia continuará o trabalho que vem desenvolvendo. A Comissão recebeu 60 mil processos e deferiu 30 mil até agora.
A Comissão apresentou uma bandeira confeccionada com os simbolos de todas as entidades e movimentos que foram atingidas pela ditadura que vêm acompanhando as atividades desses dois anos de atuação e exibiu um vídeo sobre o trabalho que desenvolveu nas caravanas por diversos estados. Paulo Abrão aparece pedindo desculpa aos anistiados em nome do Estado brasileiro.
Estavam presentes o professor Antonio Candido; Clara Charf, viúva de Carlos Maringuella; Daniel Souza (filho de Betinho); João Vicente Goulart, filho do ex-presidente João Goulart; deputado Brizola Neto (neto do ex-governador Leonel Brizola). A mestre de cerimônias foi a artista Zezé Mota.





