“O ESPORTE COMO RECURSO EDUCACIONAL EM SÃO PAULO”

Seminário realizado em 17 de agosto no Plenário 1º de Maio da Câmara Municipal de São Paulo, das 9h30 às 17h00, por iniciativa da Comissão de Educação Cultura e Esportes.

O objetivo desse encontro é apresentar um balanço dos programas e atividades esportivas desenvolvidas na cidade de São Paulo, além de abrir perspectivas para novas ações que possam contribuir para o bem-estar da população. A idéia é envolver a comunidade esportiva em iniciativas que definam novos rumos à política de esporte e lazer no município.


Vereadores que Integram a Comissão de Educação, Cultura e Esportes:

Eliseu Gabriel (PSB) - Presidente

Marco Aurélio Cunha (DEM) - Vice-Presidente

Alfredinho (PT)

Netinho de Paula (PC do B)

Claudinho (PSDB)

Claudio Fonseca (PPS)

Jooji Hato (PMDB)

PROGRAMAÇÃO

10h00 às 10h45
ESPORTE E LAZER COMO RECURSO EDUCACIONAL, CIDADANIA E COMBATE À VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO

Palestrante: Walter Feldman – Deputado Federal e Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação

10h45 às 12h00
FINANCIAMENTO DOS ESPORTES, LAZER E RECREAÇÃO

Fundo Municipal de Esportes
Palestrante: Vicente Cândido – Deputado Estadual

FUMCAD – Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
Palestrante: Ricardo Montoro – Secretaria Municipal de Participação e Parceria

12h00 às 12h30
DEBATE

13h30 às 14h00
O ESPORTE PARA IDOSOS NA CIDADE DE SÃO PAULO
Palestrante: Dr. Egidio Dórea – Médico do Hospital da USP
14h00 às 14:30
O FUNCIONAMENTO DOS CDCs, CENTRO OLÍMPICO, CLUBES-ESCOLA E A FALTA DE ESPAÇOS ESPORTIVOS NA CIDADE
Palestrante: Edélcio Paschoalin – Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação

14h30 às 15h10
ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS E AS POSSIBILIDADES DE INTERAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
Palestrante: Maria Paula Gonçalves da Silva (Magic Paula) – Diretora do Centro Olímpica de Treinamento e Pesquisa

15h10 às 16h00
INICIATIVA DO 3º SETOR NO ESPORTE E LAZER
Palestrantes: Ana Moser – Coordenadora do Grupo de Trabalho de Esportes do Movimento Nossa São Paulo
Raí Souza Vieira de Oliveira – Fundação Gol de Letra

16h00 às 16h30
DEBATE

16H30 às 17h00
CONSIDERAÇÕES FINAIS E ENCERRAMENTO

PERÍODO DA MANHÃ

Vereador Eliseu Gabriel: considerações iniciais

Preocupados com o fato do esporte ser um tema pouco contemplado nesta Casa, decidimos – nós vereadores da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Câmara – realizar este Seminário. Nossa idéia é entender bem a questão do esporte e criar mecanismos para institucionalizá-lo como prática lúdica e sistemática, capaz de dar importante suporte à educação paulistana.

Ressalto aqui o grande esforço do Sr. Walter Feldman, Secretário e Deputado Federal, autor e entusiasta de brilhantes iniciativas na área. A sociedade precisa conhecer e assumir essa questão de forma ampla e decisiva. Estou muito feliz por ter conseguido apoio de todos da Comissão: nobres Vereadores Marco Aurélio Cunha, Alfredinho, Netinho de Paula, Claudinho, Claudio Fonseca e Jooji Hato na organização deste evento.

Posteriormente, as conclusões que tirarmos aqui, serão editadas num pequeno livro. Certamente, isso vai contribuir bastante com todos os envolvidos com esportes, a população em geral, os vereadores e servir inclusive como referência, para outras cidades. Todos aqui presentes têm muito a ajudar a tornar cada vez mais o esporte como recurso educacional na cidade de São Paulo.

Com a palavra o Sr. Walter Feldman, Deputado Federal e Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação.

ESPORTE E LAZER COMO RECURSO EDUCACIONAL, CIDADANIA E COMBATE À VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO

Palestrante: Walter Feldman – Deputado Federal e Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação.


WALTER FELDMAN

Bom dia a todos. É uma alegria estarmos juntos nesta manhã de segunda-feira.

Só o fato de haver esse seminário, já é algo muito relevante. Durante o período em que estive aqui, não me lembro de ter discutido a questão do esporte. Uma vez, o ex-Vereador Nelson Guerra, professor de Educação Física, e eu trabalhamos na gestão da ex-Prefeita Luíza Erundina, na reformulação do Estatuto do Magistério. Eu era o relator da matéria. Houve uma intervenção forte do ex-Vereador, ao dizer que nós não compreendíamos o papel da disciplina Educação Física nem do professor de Educação Física nas escolas. Realmente, havia dificuldades para a compreensão dessa questão.

Por todo o período em que aqui estive, essa foi a única ocasião em que me lembro de ter havido uma manifestação contundente a respeito do esporte na Educação. Durante os oito anos em que passei na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, também não houve nenhuma referência digna de nota. Na Câmara Federal, houve uma transformação recente, desde à gestão do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, na constituição do Ministério dos Esportes. Hoje há um acréscimo orçamentário, muito ainda por conta das Olimpíadas, mas vivemos um momento de transição. Tenho a sensação de que essa questão passa a ter mais relevância, seja por conta do Pan-Americano, que houve, no Rio de Janeiro, recentemente, seja por conta da nossa participação na Olimpíada de Pequim-Beijing, (com resultados ainda insatisfatórios e também do contraponto entre aquilo que o Brasil vem fazendo há muitos anos, que é o apoio quase exclusivo, monocórdico, ao futebol profissional).

Quero, além dos anúncios que foram feitos, citar a presença da Maria Alice, que faz a coordenação de esportes na Secretaria de Educação e o Alécio Gamberini, que coordena nossos equipamentos e substituiu o Edélcio, que há muitos anos comandava este setor. Fico muito feliz com a presença do Monei, nosso mais recente parceiro. A Unesco, a Secretaria Municipal de Esportes e a Secretaria de Educação estão finalizando um convênio para que, num período de três anos, possamos analisar os impactos do esporte na Educação.

É um processo muito bem elaborado, com a participação da Sheila, que coordena a área de planejamento, além da parte científica da Secretaria. A idéia é desenvolver e apresentar resultados numéricos, qualitativos e quantitativos aos governantes, à sociedade, à imprensa e aos profissionais, uma vez que efetivamente o esporte tem sido mal usado em nosso País.

Saliento este aspecto: o Brasil tem sido pouco inteligente na utilização do esporte como alavanca educacional, de saúde, como poderoso instrumento de articulação e como – esse que é um dos temas do seminário – meio de combate à violência e de ajuda na organização da comunidade. Ao explorar esse valioso leque de possibilidades, criaremos mecanismos mais adequados de atração da juventude e estimulo às crianças. Nesse caso, o esporte não será apenas complemento da atividade escolar, mas sim um trabalho de alicerce, de formação de caráter, conquista da dignidade, enfim, tudo o que o programa Clube-Escola objetiva empreender hoje nos espaços educacionais da cidade de São Paulo. Importante salientar que este programa tem uma tarefa essencial de dar a cada criança, através do esporte, elementos adicionais, pedagógicos e de integração comunitária.

Estamos vivendo um período novo, é muito provável que se tivermos capacidade de radicalizar este debate, estaremos utilizando de maneira correta aquilo que para nós deveria ser uma vocação. O Brasil, um país tropical, com boa miscigenação genética. Isso nos dá características articulares, musculares e ósseas adequadas para a prática de várias modalidades esportivas. O esporte e a atividade física no Brasil é uma vocação que nunca foi utilizada adequadamente para melhorar os índices de saúde, educação e vida comunitária. Esse talvez seja o elemento mais relevante que apresento no início desse seminário.

Lembro que assumimos a Secretaria Municipal de Esportes há dois anos e meio. Inicialmente, fizemos um diagnóstico administrativo, sobre o funcionamento de CEMIs em programas que vinham sendo realizados, dos eventos, das práticas continuadas de sucesso que foram implementadas em gestões anteriores.

Em nossa atuação, seja política, seja administrativa, não há nenhuma crítica àquilo que foi feito no passado. As gestões anteriores tentaram, com orçamentos muito reduzidos, fazer o máximo. A ex-secretária Nádia Campeão implantou programas que ainda são mantidos na nossa gestão, como por exemplo, os “Jogos da Cidade”, que se revelaram um instrumento poderoso de organização das comunidades por meio das subprefeituras. Hoje, provavelmente, este é o maior campeonato de características amadoras do Brasil. O nosso site soma 19 milhões de visitas anuais – não de pessoas, mas de entradas – sugerindo grande integração e compartilhamento com nossas atividades esportivas, o que demonstra a relevância e magnitude do trabalho realizado.

O Sr. Walter Feldman passa a referir-se às imagens projetadas na tela.

Esse é um diagnóstico que fizemos logo de início. Não havia muitas políticas públicas continuadas, duradouras, bem supervisionadas, bem avaliadas, com mecanismos de crítica e autocrítica, para que pudéssemos, juntamente com a comunidade e Câmara Municipal, estabelecer práticas e programas prolongados.

O Brasil precisa se acostumar a acreditar nas políticas de longo prazo: aquelas que se desenvolvem e evoluem através de governos capazes de reconhecer práticas adequadas no passado e as aperfeiçoar, garantindo longa vida aquilo que tem dado certo.

Os Jogos da Cidade são um exemplo da política de alto rendimento que já vinha sendo realizada no Centro Olímpico. Fizemos um diagnóstico do que estava indo bem e do que poderia ser acrescentado e aperfeiçoado, de acordo com nosso novo modelo de gestão. Aliás, o referido modelo foi pensado pela FIA/USP, a partir de iniciativa tomada pelos próprios funcionários da Secretaria.

Tenho um carinho especial por este programa. Logo no início do mandato, tive uma longa conversa com o Prefeito Gilberto Kassab – a exemplo de outras tantas no passado com o Governador José Serra – sobre a necessidade de aprofundarmos algumas experiências que já ocorridas em São Paulo, de acrescentar estrutura, atividades, mas principalmente agregar valor pedagógico ao esporte disponível às crianças das escolas públicas.

São dois milhões e duzentas mil crianças matriculadas em escolas públicas estaduais e municipais, que poderiam ter no esporte uma atividade complementar.

Mas é grande a dificuldade de atendê-las nas próprias escolas. Há dificuldade para serem realizadas nos próprios equipamentos, nas próprias escolas. Mas ativando os equipamentos esportivos de São Paulo, nos surpreendemos com seu número: um ativo de 500 equipamentos, ¼ a mais do que imaginávamos.

Assumimos o trabalho de reconhecer esse ativo, cadastrá-lo, enquadrá-lo como equipamentos de interesse público e, na medida do possível, reformá-los para que pudessem receber o programa Clube-Escola, sem nenhuma diferenciação entre os Clubes da Cidade, da Comunidade e os equipamentos de sistema de rodízio. Nossa ideia é, daqui a alguns anos, não fazer essa diferenciação: que todos os equipamentos de São Paulo possam se transformar em Clube-Escola

Importante lembrar que esses equipamentos só sobreviveram por conta das lideranças comunitárias. Na ausência do poder público, essas lideranças fizeram o possível, do ponto de vista financeiro, muitas vezes alugando, cedendo espaço para atividades pagas – e eventualmente comerciais –, passando por toda sorte de desvios imagináveis. Portanto, tem de haver uma autocrítica do poder público em relação a isso.

Para criarmos as condições favoráveis ao programa Clube-Escola, investimos R$ 110 milhões na reforma de 320 obras, todas com acompanhamento da direção dos equipamentos e da comunidade – ainda num sistema que carece de aperfeiçoamento, uma vez que, nesse período, a SEME não teve um setor de engenharia, de licitação ou área jurídica que a assessorasse.

Na ocasião, várias Subprefeituras, tomaram a frente como parceiras, para que pudéssemos repassar esses recursos, na medida em que havia um compartilhamento adequado de prioridades, ou então de SIURB em obras que exigiam maior recurso estrutural.

Foram dois anos e meio de um histórico, dramático e envolvente trabalho, num setor onde antes quase nenhum investimento foi realizado ao longo de décadas. As reformas levaram em conta necessidades prioritárias como: vestiários, banheiros, reformas de campos, colocação de alambrados, iluminação pública, a fim de dar um acréscimo de horário no funcionamento, priorizando principalmente os trabalhadores que chegam do trabalho e gostariam de ter um momento de alegria e lazer em suas comunidades.

Entregamos o novo Centro Esportivo e Cultural Brasil-Japão, aqui no Bom Retiro, na Marginal Tietê, não diria totalmente, mas muito reformado e que hoje tem condições mais adequadas de recepcionar o beisebol em São Paulo e outras atividades, como o sumô e eventos culturais que fazem parte de um programa de melhoria daquele equipamento, para no futuro transformar-se no Centro Esportivo e Cultural de São Paulo.

O Clube-Escola não é só um centro de atividade física e esportiva. Lá, os estudantes da rede “aprendem com o esporte. Por isso, estamos buscando, de maneira vigorosa, a parceria com as Secretarias de Educação do Município e do Estado. O ideal seria que o Clube-Escola fosse um programa da educação. Ou que fôssemos contratados pela Educação para desenvolver o programa. Ainda faltam avançarmos nesse caminho. O Clube-Escola é um programa transversal de governo. O espaço deve contemplar inclusive oficinas culturais. Vamos estreitar relações com a Secretaria de Participação de Parceria, através da instalação de Telecentros para inclusão digital.

O equipamento Clube-Escola ideal é aquele que oferece à criança tudo o que as crianças de classe média têm nos clubes esportivos e sociais pagos na cidade: grande cardápio de modalidades esportivas, perfeitamente adaptáveis às características de cada criança, de cada jovem. Além disso, o Clube-Escola é um equipamento da população, devendo envolver a faixa adulta e a terceira idade, com equipamentos de capacidade múltipla, por assim dizer, um pulmão de alegria e vitalidade para a população.

Insisto que a escola é uma necessidade. Não é possível pensarmos num país desenvolvido sem ela. Mas como disse o nobre Vereador Marco Aurélio, a escola às vezes é uma atividade monótona para a criança. Apesar dela ser sempre uma escolar, com salas de aula e características tradicionais, precisamos desenvolvê-la com características mais interessantes e lúdicas.

O posto de saúde é um equipamento público, necessário e fundamental, seja para promoção, prevenção ou cura das doenças. Mas gostaríamos que o Clube Escola fosse o equipamento da alegria, do lazer, da brincadeira, da atividade esportiva.

Quero insistir que a atividade lúdica, esporte, lazer e recreação são vocacionais para o povo brasileiro e isso que trabalhamos mal. Então, o Clube-Escola pode ser um espaço de bom convívio para toda a população, independentemente de sua faixa etária, proporcionando aproximação entre os pais e filhos, tios e sobrinhos, avós e netos, enfim, algo que me parece necessário numa cidade tão complexa e tão neurótica como a nossa.

Repito: Clube-Escola, na minha avaliação, tem de ser um programa transversal de governo, com todas as Secretarias que têm sua identidade incorporada a ele, e não apenas uma atividade restrita à Secretaria Municipal de Esportes. Podemos inclusive gerenciar, tendo em vista o papel do profissional, principalmente dos professores de Educação Física.

Eu diria que a atividade lúdica é fundamental à terceira idade. Ela hoje é uma presença nos equipamentos, uma demanda muito forte, com atividades de caminhada, ginástica, hidroginástica, Tai Chi Chuan, ioga, Lian Gong, natação etc. E agora a terceira idade está muito reivindicadora: eles querem nadar em piscina aquecida,em piscina coberta... o que mostra que essa comunidade está avançando nas suas reivindicações.

Incorporamos em nossa função os bailes, tendo em vista que a dança é uma atividade física, cultural e lúdica. Isso vem estimulado muito a comunidade. Estimulamos também trabalhos científicos junto a essa faixa etária (com portadores de doenças crônicas que tenham atividades físicas regulares) para mostrar o impacto dos resultados em populações sedentárias estimuladas a realizar atividade física.

O primeiro trabalho, juntamente com o Hospital do Servidor Público do Estado, já tem resultados: pesquisamos um grupo de 45 pessoas acima de 70 anos, que praticavam duas atividades físicas por semana de uma hora cada. Os resultados da observação comprovaram redução de 25% das internações em hospitais e 40% de readequação para menos medicamentos.

Agora, imagine isso feito em grande escala, ao custo de uma atividade física, duas vezes por semana, com orientação de professores de educação física e fisioterapeutas, para adequarmos a questão do alongamento e da capacidade aeróbica. Tenho certeza de que isso impactaria sobre nossos índices de saúde para essa faixa etária em São Paulo.

Posteriormente, trarei esses resultados para a Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Isso porque, caso a Secretaria de Saúde nos repassasse 1% do seu orçamento, com programas regulares nessa área, reduziríamos muito o gasto curativo em pacientes que poderiam ter evitadas suas complicações clínicas.

Quero apenas salientar que nessa área de saúde o Secretário Januário Montone tem sido um grande parceiro. Há hoje um programa chamado Saúde no Esporte, com cem profissionais de todas as modalidades: médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e professores de educação física, fazendo um trabalho inédito no Brasil.

VEREADOR MARCO AURÉLIO CUNHA ACRESCENTA:

Nas fraturas do idoso, custam muito caras as correções cirúrgicas, os materiais de próteses, as placas, os parafusos, as internações. Só aí já teria todo o retorno.

SR. WALTER FELDMAN RETOMA:

Só por isso já bastaria. Nós melhoraríamos a densidade óssea, as doenças reumáticas. Mas é muito interessante o trabalho de saúde no esporte, que vem sendo feito pelo grupo dirigido pelo Carlos Roberto Vazzoler, que dá orientação de saúde ao Programa Clube-Escola. Isso difere do Programa de Saúde da Família, pois não se trata de um grupo treinado para o atendimento, mas para a promoção e prevenção de saúde, com resultados extraordinários.

Todas as atividades que recepcionamos na Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação não tinham o acompanhamento médico adequado, a não ser no Centro Olímpico. Esse equipamento, desde muito tempo, tem um trabalho de Medicina Esportiva e Fisioterapia, diga-se de passagem, muito melhorado agora.

Estamos trabalhando nessa área com o grupo Saúde no Esporte, melhorando muito a atividade de Medicina Esportiva no Centro Olímpico e na rede olímpica que estamos montando. No próximo mês, iremos inaugurar no Centro Olímpico o Centro de Excelência em Medicina Esportiva Caio Pompeu de Toledo: possivelmente, o melhor do País. Seu atendimento será integral – pediátrico, ginecológico, clínico, o que normalmente nem os grande clubes possuem, já que se dedicam mais à Ortopedia e Fisioterapia.

Lembro que, nos Clubes da Cidade, grande parte dos profissionais de saúde faziam aquele atendimento dermatológico para o uso da piscina – o que implica inclusive na perda da dignidade do profissional médico – obrigado a fazer esse mesmo tipo de tratamento por décadas. Pretendemos agora requalificar toda essa atividade, montando uma ampla operação de atendimento médico àqueles que utilizam o Programa Clube-Escola, quer em termos preventivos, quer para a avaliação da capacidade física à prática de atividades esportivas.

Hoje a cidade já conta com 96 Clubes-Escola. O próximo será inaugurado no Glicério, área de grande vulnerabilidade infantil e juvenil, que inclusive é um dos objetos deste seminário. Estamos trabalhando muito para ver como, depois de disponibilizado, o Clube-Escola melhora as relações entre o equipamento e a população. O do Glicério, por exemplo, exercerá um papel fundamental. Atualmente, trabalha a Tia Eva, uma senhora que, sem nenhum apoio governamental, atende mais de 300 crianças.

Estamos formatando um programa de esportes na Nova Luz, que poderá ser um instrumento ainda mais poderoso do que aqueles implementados até agora. Seu segredo é que ele estará articulado com as áreas da saúde e do desenvolvimento social. Na semana passada, fizemos uma experiência na região da Cracolândia-Nova Luz, levando para lá esportes de rua – basquete, dança, grafite, skate e outros – , para ver como aquela comunidade complexa reagiria. Colocamos esses atletas na quadra em frente ao Largo Sagrado Coração de Jesus, e não dá para descrever a emoção das crianças e jovens que, quando libertos da timidez, começaram a fazer, por exemplo, dança de rua melhor do que aqueles que foram se apresentar. Por isso, achamos que essa atividade esportiva, (que já faz parte da cultura popular) pode ser muito útil como instrumento de melhoria da vida comunitária e de redução dos índices de criminalidade.

Glicério e Nova Luz: duas experiências fundamentais pelas quais queremos melhorar essa relação. O Prefeito Gilberto Kassab deseja muito que o Clube-Escola seja o terceiro lar da criança, algo bastante agradável, que complemente a vida familiar e a vida escolar.

No Plano de Metas, O Clube-Escola tem o objetivo de atingir 200 equipamentos. Nosso sonho era chegar a 400, antes da crise econômica. O Prefeito Gilberto Kassab e o Secretário Manuelito acharam melhor adequar essa meta à nova realidade financeira e orçamentária do Município; então, nossa meta é chegar a 200 unidades até o final do mandato. Apesar disso, tenho uma pretensão de buscar apoio do setor privado, que ainda não compreendeu o projeto. Temos uma enorme dificuldade de chamar de responsabilidade social aquilo que eles denominam por esse nome. Muitas vezes, o setor privado busca ou a Lei de Incentivo ou a melhoria da sua marca, com uma perspectiva comercial; mas para um programa educacional desse porte, com tamanho espírito de responsabilidade social, até agora quase não há apoio.

Olha, eu gostaria de fazer o Clube-Escola São Paulo, o Clube-Escola Pinheiros, o Clube Escola-Espéria, o Clube-Escola Paineiras, o Clube-Escola Danone, o Clube-Escola BMW, o Clube-Escola Microsoft. A idéia é trazer do setor privado não só os mecanismos físicos, tributários, como também a alma dessas instituições. Quero identificá-las com um programa sério, capaz de ultrapassar a atual gestão. Isso consolidará o Clube-Escola dos pontos de vista social, educacional e de saúde pública em São Paulo.

Temos 95 unidades e 230 mil pessoas atendidas. É ainda muito pouco para o que sonhamos. Nosso universo é de 2 milhões e 200 mil crianças e jovens nas escolas públicas. Some-se a isso os pais de alunos e precisaremos contemplar a metade da população paulistana. Como beneficiária desses equipamentos.Claro que não serão apenas equipamentos da área pública; 500 equipamentos não suportariam a demanda. A Unibes – cuja representante está presente – é um equipamento da área central, com o qual já temos parceria para o Clube-Escola. Não é um equipamento da Secretaria Municipal, mas lá se pode instalar um Clube-Escola, pois o Clube-Escola é um conceito: você pode instalá-lo num parque ou numa praça.

Queremos criar a Rua de Lazer Clube-Escola, para ser um Clube-Escola “de bolso” no final de semana. Bem como Clubes-Escola temáticos, como esse específico da Nova Luz, que desempenha um papel de atração para essa criançada, criando a possibilidade de redirecioná-la a programas sociais específicos.

Quero mostrar-lhes uma pesquisa que revela nossa preocupação com os resultados e a continuidade do processo, de tal forma que qualquer Prefeito no futuro avance, aperfeiçoe e crie elementos adicionais para não desativar o programa.

Crianças e jovens usuários do Clube-Escola foram alvo de um questionário. 67% concordam que o projeto melhora seu rendimento escolar. 35% disseram que já sentem a melhora e acreditam que ela foi consistente. São crianças e jovens que participam regularmente do Programa Clube-Escola. Pelo menos duas vezes por semana, vão até lá, escolhem as modalidades de sua preferência, enquadram-se e são acompanhadas. Para nós, só por isso já teria valido a pena.

Trata-se de um avanço enorme, que inclusive propiciou nossa aproximação com a Unesco, para a celebração de um convênio. Já conversamos com o Secretário Alexandre Schneider sobre a importância do programa integrar esporte e educação. E é por aí que vamos avançar.

Sinto que devemos expurgar essa ideia de programas de curto prazo. O convênio que estamos celebrando com a UNESCO é de,no mínimo, três anos: tempo suficiente para formatar o que nos parece um programa consistente e de qualificação maior.

Um dado interessante: mais de 50% dos usuários do Clube-Escola são oriundos de escolas públicas do Estado. A outra metade divide-se entre crianças de escolas públicas do Município e do setor privado. Isso é um bom sinal: quando crianças de escolas privadas procuram pelo Clube-Escola, temos a certeza de estar oferecendo um programa com qualidade.

Outra característica do Clube-Escola muito discutida na sua implantação refere-se ao uso do transporte escolar. Queremos que o Clube-Escola esteja de 1 a 1,5 km de distância da escola. Dessa forma, a criança vai para o Clube-Escola e depois para a escola – ou vice-versa –, andando, se possível em grupos, para sua maior segurança. Isso tem acontecido no bairro de Pinheiros e na Vila Madalena com o Projeto Aprendiz, onde existe a ideia da construção do bairro-escola. Ao caminhar pelo bairro, as crianças se apropriam dele, ocupam os espaços públicos, identificando o que existe em termos de equipamentos, de comércio, de atividades culturais. Queremos as crianças donas da cidade. Queremos que esse novo cenário passe a existir em São Paulo. Por isso, a migração da criança para o Clube-Escola nos interessa muito.

Alguns equipamentos, naturalmente, continuarão precisando de vans e ônibus para tentar reduzir ao máximo o tempo de locomoção, como é o caso do Clube-Escola Pelezão. Lá, inclusive, ônibus conseguido com o apoio privado aumentou em muito a utilização do espaço.

De acordo com pesquisas, quase 50% dos alunos vão sozinhos, que é o que achamos mais interessante. É uma sensação de segurança tanto por parte da criança como de seus pais, que têm a fé de que a deambulação, a migração dessa criança para o Clube-Escola, em princípio, não oferece nenhum risco.

Vocês sabem que os bandidos tomam conta dos locais públicos e vão afastando as pessoas. Quando tivermos um sistema em que as pessoas conquistem mais o espaço que é seu, haverá, na nossa avaliação, uma tendência de redução da presença dos criminosos nas ruas da cidade.

Precisamos criar atrativos à participação escolar e familiar. Nesse sentido, é muito importante também a presença dos dirigentes escolares, diretores, supervisores e profissionais da educação em todo o processo. Queremos primeiro a escola indicando e encaminhando a criança. Depois, analisando o aproveitamento escolar de quem freqüenta o projeto.

Quero deixar claro que não há estudos sobre a sistematização da cultura da atividade física e esportiva no Brasil. Isso é localizado. A universalização desses valores é uma prática que o poder público ainda fica devendo. Existe a necessidade, se possível, de morar no mesmo bairro e próximo da escola. Mas é incrível: alguns Clubes-Escola estimula o deslocamento de gente que vem de locais muito distantes.

Para se ter uma ideia, o Pelezão, por exemplo, concentra a demanda de mais ou menos 10 escolas do seu entorno. O número de usuários praticamente dobrou, desde que o programa foi implementado. Mas isso não é uma exclusividade do Pelezão: é um fenômeno extensivo a todas as unidades do Clube-Escola.

Mas vamos às Ruas de Lazer em São Paulo. Nossa ideia é ter cinco mil Ruas de Lazer em São Paulo. Vamos melhorar o kit, melhorar as atividades, melhorar a programação. O programa existe há mais de 30 anos e nunca se pensou em aperfeiçoar o modelo.

O Prefeito Gilberto Kassab teve também a ideia de transformar o domingo no “Dia da Atividade Física e Esportiva em São Paulo”. Dia 30 de agosto, lançamos as Ciclofaixas de Lazer de Fim de Semana, que ligam, através das avenidas, o Parque das Bicicletas, o Parque Ibirapuera e o Parque do Povo. Em definitivo, todo domingo de manhã, serão destinadas às bicicletas de São Paulo. Dependendo do apoio e da demanda, ampliaremos isso para a cidade inteira.

Os Jogos da Cidade vocês já conhecem. Todas as Subprefeituras participam, com transmissão pela Bandeirantes, anúncios, apoio do MacDonald's. Nós temos uma esforço enorme de também buscar o setor privado para participar com a gente.

As Olimpíada das Comunidades são um são outro grande exemplo, que além de aproveitar a diversidade das culturas estrangeiras instaladas em São Paulo, incentivam a cultura de paz, contra a violência urbana.

Isso sem falar na Virada Esportiva, já em sua terceira edição, que comemora a entrada da Primavera. São mais de mil eventos em mais de 500 locais, dos quais participam cerda de 3 milhões de pessoas. É o maior evento esportivo do Brasil.

A Globo gostou tanto da idéia, que criou o Viradão Esportivo no Rio de Janeiro e deve criar no Brasil inteiro. Mas todo mundo sabe que nasceu em São Paulo e, a cada dia, transforma nossa cidade na Capital Brasileira do Esporte.

Quero finalizar, relembrando frase imortal de Nelson Mandela: “A arte e o esporte têm o poder de mudar o mundo, de unir pessoas. Podem criar esperança onde antes só havia desespero. São instrumentos de paz muito mais poderosos do que governos".

Muito obrigado.

FINANCIAMENTO DOS ESPORTES, LAZER E REACREAÇÃO

FUMCAD – FUNDO MUNICIPAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.

Palestrante: Deputado Ricardo Montoro – Secretário Municipal de Participação e Parceria

RICARDO MONTORO

Sou da Secretaria de Participação e Parceria. Temos inúmeras atividades relacionadas com crianças, adolescentes, idosos, jovens, diversidade sexual, negros e daí por diante. Temos também o Fumcad – Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, que é o guarda-chuva financeiro dos projetos que são aprovados no Conselho Municipal, que é paritário, ou seja: uma parte é eleita pela população, outra parte nomeada pelo Governo.

Quero começar com um pequeno vídeo do Hino Nacional tocado por pessoas protegidas pelo projeto do FUMCAD. Esse filme foi feito ano passado, no momento em que saímos a campo – junto com empresários; associações; Febraban; associação das montadoras; instituições financeiras, como BNDES e Bolsa de Valores – na tentativa de captar captar recursos para financiar os nossos projetos. Eles têm uma diversidade grande de eixos, mas se encaixam bem na questão da educação, da cultura e esportes.

Na Educação, temos diversos projetos de complementação escolar. São projetos maravilhosos de incentivo à cultura, destinados às crianças e adolescentes. No Esporte, temos um número grande de projetos, entre eles um com o Cafu e outro com o Raí, este último chamado Gol de Letra.

A Patrícia e a Ida, que é medalhista olímpica, desenvolvem um programa inédito para as pessoas começarem a jogar tênis. Inauguramos uma quadra que a Ida mesma construiu num lugar bem longe. Chegamos lá pensando que teríamos uma inauguração pomposa, porém de convidados éramos somente eu e ela. Ida ficou absolutamente deslumbrada e agradecida porque o projeto reunia mais de 200 crianças jogando tênis. A Patrícia, o Cafu, o Raí, o Ademir da Guia... diversas personalidades nos ajudam nos projetos sociais.

Sobre o FUMCAD: Todo município tem de ter um Conselho Municipal da Criança e do Adolescente. Os que têm a possibilidade de ter um fundo (geralmente as cidades médias e grandes), compõem um caixa destinado a financiar projetos que sigam o caminho do direito das crianças e adolescentes.

O dinheiro provém de pessoas físicas e jurídicas. As empresas podem abater até 1% de seu imposto devido destinado ao esporte. As pessoas físicas, até 6%. Quando visitamos algumas organizações patronais vemos um total desconhecimento a respeito do Fumcad. É impressionante. O FUMCAD ainda é um ilustre desconhecido, por isso aproveitei a oportunidade deste gentil convite para divulgar o Fundo. As doações devem ser feitas até o dia 31 de dezembro de cada ano.

Na Cidade Tiradentes, por exemplo, temos uma parceria com o Sr. Walter Feldman. Lá, o dinheiro arrecadado junto à iniciativa privada está viabilizando a construção da Vila Olímpica do Centro Esportivo da Zona Leste. Em casos como esse, acabamos sendo quase que sócios do projeto, dirigindo, fiscalizando, vendo se o dinheiro é corretamente empregado.

Em nosso site estão todos os projetos aprovados no Conselho Municipal a espera de verbas. Há os eixos que podem definir a sua doação, ou seja: medidas socioeducativas em meio aberto, abrigo, educação, esporte, cultura, lazer. E hoje doações pelo próprio site: tudo simples, rápido e fácil.

Como secretário, não tenho capacidade de escolher os projetos. Eles são criados com inspiração nos anseios da comunidade e analisados por uma equipe muito competente e técnica, o CMDCA, composta por representantes do governo e por comissões originárias da sociedade civil organizada.

Os resultados são fantásticos. Até o início do Governo Serra, tínhamos menos de 20 projetos e algo em torno de 1.750 pessoas beneficiadas. Depois dele – que deu atenção especial a essa questão – a arrecadação do FUMCAD aumentou para 12 milhões e mais recentemente para 16 milhões de reais. Entre 2007 e 2008, tempo que ocupo a Secretaria, os depósitos no FUMCAD elevaram-se para 80 milhões e passamos de 53 para 460 convênios ativos.

Sempre digo que os grandes heróis não somos nós, que estamos cumprindo uma obrigação, mas são as organizações sociais que têm feito um trabalho de alto nível. Tenho visitado muitas organizações conveniadas e sinto que existe um espírito muito solidário. Acredito que o terceiro setor é fundamental para o desenvolvimento da Cidade, do Estado e da Nação. O Estado pode muito, mas não pode tudo. Hoje, sem a participação do terceiro setor, muitas obras primordiais não seriam feitas.

Uma coisa pela qual o Secretário Walter Feldman lutou muito – e ainda não foi bem entendida pela população – é que você pode provocar uma doação e indicar um clube para recebê-la. Por exemplo: o nobre Vereador Marco Aurélio, que é um “corintiano fanático”, pode indicar que uma doação do Bradesco, que tenha sido feita para Fumcad, pode diminuir o IPTU devedor do clube. Isso foi feito para o Pinheiros, através de uma doação do Bradesco. Cabe a nós divulgarmos mais essa possibilidade e, inclusive, trazermos essa legislação aqui para a Câmara Municipal. Isso não custa nada.

FINANCIAMENTO DOS ESPORTES, LAZER E RECREAÇÃO

FUNDO MUNICIPAL DE ESPORTES

Palestrante: Vicente Cândido – Deputado Estadual

VICENTE CANDIDO

Não posso deixar de reconhecer o trabalho do Secretário Walter Feldman e acho que quando as coisas são bem feitas devem ser realçadas. Aproveito a oportunidade para convidá-lo a falar na Comissão de Educação, Cultura e Esportes que presido na Assembléia Legislativa.

Vou ser sintético, para privilegiar o debate. Na maioria das vezes, a Comissão de Educação, Cultura e Esportes trata o Esporte como subitem: o menos lembrado nos debates, o que não é muito diferente pelo Estado e o Brasil afora. Por isso, esta Casa e toda a Comissão aqui presente estão de parabéns.

Aprofundar um tema como esse é fruto da tranquilidade política, de acerto econômico. Tenho certeza de que se o Sr. Walter Feldman fosse Secretário logo após o Governo Pitta, ele não teria a mesma tranquilidade orçamentária ou até política para convencer o Governo e o Parlamento, para que o esporte ganhasse a importância que tem hoje.

Numa terra arrasada – isso serve para qualquer governo – é difícil convencer seus Pares de que o esporte é mais importante do que asfaltar rua, consertar o posto de saúde ou a escola. Mas o momento atual permite – não só não só em São Paulo, como pelo Brasil afora – que o esporte possa virar prioridade nas nossas pautas.

Somando-se a isso, estamos prestes a sediar uma Copa do Mundo de 2014. E oxalá as Olimpíadas de 2016. O debate sobre como organizar esses eventos virá independentemente de nossas vontades ou da dos militantes e dirigentes. Isso permite que o esporte ganhe espaço, força, prestígio.

Mas atenção: quem está neste plenário, prioriza a discussão do tema e está convencido da sua importância, tem a responsabilidade de mudar a percepção, o modo de pensar, dos que estão lá fora. Tudo para que o debate ganhe qualidade e a Copa do Mundo não se transforme apenas em um canteiro de obras nas cidades sedes e subsedes.

Tenho procurado promover o debate desse tema inclusive dentro da Federação Paulista de Futebol. Fiz o alerta quando o Presidente Ricardo Teixeira esteve na FIESP – o Secretário Feldman estava lá também - de que temos de avançar não só no fomento ao esporte mas, sobretudo, em relação ao que o Brasil será depois de 2014, na produção esportiva, na democratização do acesso ao esporte, na produção de talentos esportivos, na nossa capacitação esportiva perante o mundo.

E isso não avançará se não estivermos bem dotados de políticas públicas para o esporte na questão orçamentária. Não adianta haver rios de dinheiro no esporte e não houver política para gastá-lo. A tentação de gastar mal é muito grande. Da mesma maneira, não adianta também haver políticas feitas para o esporte, sem que haja orçamento: E, diga-se de passagem, orçamento para o esporte normalmente não é prioridade. Nem do Governo, nem do Parlamento ou perante a própria sociedade.

Nesse aspecto, os instrumentos políticos da cidade de São Paulo são muito importantes. A Capital hoje está bem dotada de instrumentos públicos para receber mais recursos. E mais: para convencer o Governo, o Parlamento e a sociedade, de que é verdadeiramente possível que esses recursos sejam bem geridos, pois também temos instrumentos de fiscalização à altura, a começar pelo FUMCAD, conforme o Secretário Montoro já citou.

O potencial do Fumcad no Governo Marta era de R$ 250 milhões; hoje deve ser de R$ 500 milhões ou R$ 600 milhões – não sei se o Secretário Montoro tem esses números – sendo que a arrecadação ainda não ultrapassa R$ 80 milhões. Então, falta o quê? Faltam projetos, falta convencimento dos empresários de que é melhor gastar o dinheiro aqui do que mandar para Brasília, pois não se sabe como ele volta. Não que o dinheiro será mal gasto, mas quando ele cai no caixa do Tesouro, fica difícil disputar com todas as outras áreas. Como o esporte é sempre o menor da família, sua tendência é perder a briga.

Ao investir aqui, o empresário pode ir lá e conferir, colocar gente no Conselho Fiscal das entidades que vão gerir aquele fundo; colocar gente no Fundo do Esporte da Cidade, que tem representatividade de toda a sociedade. Isso é garantia de que o dinheiro será bem gasto.

Qual foi o investimento do Governo Municipal para divulgar esse tipo de incentivo? Porque uma coisa é questionarmos se as pessoas estão investindo. Mas V.Exa. sabe dizer se houve algum tipo de investimento em mídia chamando o empresariado?

DEPUTADO VICENTE CÂNDIDO

Lembro-me que, no Governo Marta, isso foi divulgado na televisão. Mas respondo a V.Exa. dizendo que isso é menos eficiente do que os cafés da manhã, almoços, jantares e eventos como este, contando com a presença de empresários inclusive.

O Ministério da Cultura ajudou a promover em São Paulo um evento parecido para Lei Rouanet. Hoje existe a Lei Rouanet do esporte, da cultura e também o FUMCAD, que também é aquinhoado com 1% do Imposto de Renda recolhido das empresas.

Por isso, acho mais eficiente esse convencimento cara a cara do que divulgar na mídia. Ela é sempre muito cara. Mas nem sempre é intima do empresariado. Se você não foi lá convencer o presidente da empresa, o departamento de marketing, o departamento da área social, falar pela televisão, pelo rádio, custa caro e vale pouco. Segundo os números que o Secretário Montoro mostrou aqui, anunciar não gerou o resultado esperado naquele período.

Devemos também construir uma outra cultura para isso: por exemplo, da responsabilidade social, que está sendo debatida no mundo todo dentro das empresas. O empresário acha que responsabilidade social é contribuir com o hospital do câncer mais próximo. Precisamos convencê-los de que investir na cultura e no esporte é sim um dos itens mais importantes da responsabilidade social. Basta acessar, por exemplo, o relatório da ONU, no site da Unesco, que mostra a importância do esporte na qualidade de vida. O Secretário Walter está aqui se esgoelando para demonstrar isso. Aliás, nesse caso, você vai discutir vida com qualidade em vez de qualidade de vida.

Segundo a Unesco, a cada dólar investido no esporte, você economiza 3,2 dólares na saúde. Aliás, a Secretária do Walter é a Secretaria da Saúde; a Secretaria outra é da doença, porque a pessoa vai lá no posto de saúde quando está precisando de socorro. Quando ele está com saúde, vai a Secretaria de Esportes.

Por isso, deve haver esse convencimento de uma outra cultura, inclusive com os Promotores do Ministério Público. Numa ocasião, fui na OAS pedir dinheiro para um projeto social e falaram: “Tenho trauma disso porque ajudei a montar o Olodum na Bahia e os Promotores – não são todos – achavam que eu estava esquentando dinheiro com isso e ficaram investigando a vida inteira da OAS. Então prefiro dar o dinheiro por fora da Lei de Incentivo a Cultura”. Essa é uma cultura do medo, já ouvi várias vezes empresários dizerem: “Não vou contribuir porque isso chama fiscal. Quando eu dou para entidades sociais eu estou provocando a Receita a me fiscalizar”. São conceitos errados que acho que em debates como este e através de mídias, como há aqui no Parlamento, que conseguiremos mudar.

No dia em que o FUMCAD contribuir com todo o seu potencial para a cidade de São Paulo, teremos R$ 500 milhões. É lógico que ele não é destinado apenas para o esporte, é para cultura e educação e saúde inclusive. Mas com uma boa parte disso, consegue-se fazer projetos integrados. Importante que seja, nesse caso, para criança e adolescente, ou como a Lei Rouanet do esporte, que abrange todas as faixas etárias, menos o esporte de alto rendimento.


SR. RICARDO MONTORO
Respondendo a pergunta do nobre Vereador Netinho de Paula, temos preocupação em divulgar isso. Em 2008, ano eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral proibiu-nos de fazer propaganda. Em 2007, divulgamos através de um vídeo muito bem aceito, que o goleiro Rogério Ceni gravou graciosamente. Isso não basta, é claro. Estou de acordo com o Deputado Vicente Cândido quanto a importância do contato pessoal. Mas as duas formas podem ser eficazes.

SR. VICENTE CÂNDIDO
Para encerrar, devo dizer que hoje, mais do que nunca, tenho defendido os interesses dos esportistas. Nunca imaginava que fosse ficar tão envolvido com esporte. Além de Vice-Presidente da Federação, sou Presidente da Comissão de Esportes da Assembleia Legislativa. Só agora, com a generosidade do Secretário, regulamentou-se um fundo criando nesta Casa, através de lei de minha autoria – com muita ajuda da Vereadora Tita Dias – era uma vergonha uma cidade como São Paulo não ter um instrumento como esse. Porém, essas iniciativas ainda são muito tímidas em outros municípios. Por isso, o Secretário Walter Feldman está convidado a ajudar a construir um programa para o Estado, em que possamos mesclar o Fundo com a Lei de Incentivo, para que possamos dotar esses municípios de mais verbas para o esporte.

O Poder Executivo e o Poder Legislativo, bem como o Governo Federal, têm uma dívida com a sociedade de criar mecanismos democráticos de fiscalização. Estava olhando a composição da Comissão do Fundo criada nesta Casa e ela é a melhor garantia de que o dinheiro será bem aplicado. Por isso, na Europa se trabalha muito com o mecanismo de fundos. Mas quando se fala em dinheiro para esporte, ainda há aquela impressão dos empresários a respeito da Receita Federal, do Ministério Público e das CPIs em cima das ONGs. Aliás, os R$ 80 milhões investidos no Fumcad, destinam-se praticamente a atividades de ONGs.

Outro ponto que temos debatido muito é de como sensibilizar principalmente o Legislativo. Ele pode fazer muito pelo esporte, tanto é que a lei do FUMCAD é iniciativa do Legislativo. Temos que sensibilizar os produtores esportivos a discutirem nas suas cidades, nos seus grupos. Precisamos lutar para que isso vire prioridade na pauta orçamentária, porque não adianta pensar em tudo isso se, na hora de montar o orçamento, projeta-se gastar menos de 1% com o esporte, como ocorre no Estado de São Paulo.

Todo esse trabalho que estamos fazendo é importante para se criar a ideia de que o esporte é um item essencial na cesta básica da qualidade de vida e da cidadania como integração social.

Muito obrigado.

O DEBATE

RESPOSTAS DO SR. WALTER FELDMAN

1. A Sra. Sônia pergunta sobre instalar convênios imediatos para a implantação de Clubes-Escola da periferia. Estamos instalando Clube-Escola em toda a cidade. Muitos já foram instalados na zona Sul. Estive no Lourenço Cabrera, localizado na Capela do Socorro, inaugurando um campo sintético, num dos melhores Clube-Escola de São Paulo. Onde houver capacidade física organizativa na cidade pretendemos instalar o Clube-Escola.

Falta material. Queremos instalar um sistema permanente de destinação regular, quatro vezes por ano, de material – como se fosse material escolar –, para os clubes da comunidade, que são os mais carentes desse material. Haverá aumento do recurso de 0,7% para 1%, então, conseguiremos fazer isso. Olha, 1% é pouco, mas já seria suficiente para darmos um salto de qualidade no trabalho que está sendo feito.

2. A Sra. Marli Soares pergunta se esses clubes de elite do Centro de São Paulo, da região de Pinheiros e Morumbi, abrirão suas portas para instalar o Clube-Escola. Não, eles não abrirão. Nós nem queremos isso. Alguns clubes esportivos sociais pagos da periferia têm disposição. O Clube Esportivo da Penha é um bom exemplo.

Mas o que queremos é a experiência do Pinheiros, do Paineiras, da Hebraica, do Paulistano, que têm uma tendência de acontecer. Se eles trouxerem essa experiência e nos doarem material e professores, já será uma enorme contribuição, sem necessariamente abrir as suas portas.

3. O Sr. Roberto Galdi pergunta das praças, que deveriam ter mais equipamentos. Instalaremos 20 equipamentos de ginástica em algumas praças de São Paulo, com o apoio do HCor. O Prefeito pretende instalar cem praças com essas características, também com quadras e espaços para atividades esportivos. Porém, para isso, não há capacidade operacional de acompanhamento: professores. Inclusive, peço à Comissão que nos ajude nesse sentido.

Temos uma parcela ponderável de funcionários da Seme que vão se aposentar nos próximos dois anos. Se não tivermos uma programação de reposição e de ampliação desses profissionais, sofreremos um lock out, um fechamento das atividades que realizamos. Por isso precisamos de um planejamento para ampliação do corpo dos funcionários, que permita a ampliação dos nossos programas.

4. Agradeço ao Sr. Guimarães, que fala que precisamos de mais recursos. Tenho dito para o Prefeito, para o Secretário de Saúde e para o Secretário da Educação, que se der um pouco mais de dinheiro para mim e para o Montoro, nós retornamos em benefícios. Valerá a pena a economia que faremos em São Paulo. Em outras palavras, é a visão de promoção da vida com qualidade, como disse aqui o Deputado Vicente Cândido.

O Deputado Vicente Cândido falou do Fundo Municipal de Esportes. Estamos criando o Conselho de Usuários, que é uma prática de gestão democrática que há na saúde e em outras atividades. Queremos que cada equipamento tenha um Conselho de Usuários, eleito pela comunidade para fazer o acompanhamento e a crítica da gestão. Já é uma determinação do Prefeito e está em fase de implantação.

Aqueles coordenadores de equipamentos e supervisores de esportes aqui presentes podem divulgar de forma acelerada que nós queremos a comunidade participando, criticando e aperfeiçoando o nosso plano. Além do Conselho de Usuários, estamos criando o Conselho Municipal de Esportes e o Fundo Municipal de Esportes, além de preparar a Conferência Municipal de Esportes. Afinal, queremos ampliar todas as áreas de participação e gestão democrática na área de esportes.

ENCAMINHAMENTO
DO VEREADOR CLAUDINHO DE SOUZA

Gostaria de fazer um encaminhamento para o Secretário Walter Feldman, extensivo também ao Secretário Ricardo Montoro. Solicito que seja estudado o seguinte:

Há algum tempo, passava pela Av. Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, e vi uma porção de pessoas de cabelos brancos se exercitando no canteiro central Parei para saber o que estava acontecendo. O “maestro” da atividade me informou que era uma sessão de cinesioterapia. Perguntei por que faziam aquilo no meio da avenida. Fui informado de que não tinham outro local, por isso exercitavam-se a céu aberto. Quanto à remuneração dos profissionais, disseram que era tipo uma caixinha de comerciantes locais. Daí saía o pagamento dos dois profissionais, o que representava mil reais por mês, para atender a 50, 60 idosos.

Conversei com o Secretário Ricardo Montoro e levamos essa atividade para dois CDCs da região, o CDC 31 de Março, que hoje atende cerca de cem idosos e o CDC SAFÓ, (que integra a Sociedade Amigos da Freguesia do Ó e o Clube CDC Freguesia do Ó).

Com a prática da cinesioterapia, que utiliza cones e círculos, os idosos manifestam uma satisfação muito grande. Só que há muitas pessoas aguardando o ingresso nessa atividade. Por isso, convido os Secretários Walter Feldman e Ricardo Montoro a conhecer os núcleos já formados, ansioso por saber se essa prática pode ser estendia à toda a cidade, considerando o baixo custo, a alegria e a saúde que leva para as pessoas da terceira idade.

SR. VICENTE CÂNDIDO
Quero aproveitar a presença do Secretário Feldman, primeiro para reforçar as palavras do Vereador Claudio Fonseca e dizer que uma parte do problema tem solução no Fundo de Esporte. Como o Walter diz sempre, esse é um presente com o qual não estavam contando muito. O fundo já está com um milhão, duzentos e cinquenta mil reais, esperando montar o Conselho para poder investir o recurso. No artigo 4º, parágrafo 1º do Fundo, há destinação de recurso para os CDCs.

Há um outro problema sério, Secretário Walter, que é o caso da Portuguesinha do Campo Limpo, sobre a legalização dos terrenos. Já tentei passar emendas orçamentárias para várias entidades, mas esbarra na posse da área. É um decreto do Prefeito e muitos esbarram no patrimônio. Existe a lei, o dinheiro e, agora, falta resolver um outro problema, que é essa questão da legalidade. Acho que deve haver um debate e uma atenção a isso. Porque, daqui a pouco, vamos ter dinheiro, sem conseguir gastá-lo com CDCs.

SR. WALTER FELDMAN
É verdade, estamos num intenso programa de regularização. Há um dado interessante: vamos montar um sistema de regularização das entidades, não apenas dos CDCs. Temos mais de 15 mil entidades em São Paulo, das quais só três mil são regulares de fato. Uma vez regularizadas todas elas terão capacidade para fazer contratos, firmar convênios com o Poder Público e captar recursos nacionais e internacionais. só que não sabem disso. Então, vamos montar um sistema para regularizá-las, que será gratuito, no sentido de orientá-las a seguir esse caminho. Nossa área jurídica está muito acelerada, temos regularizado mais entidades, na tentativa de transformar, cada vez mais, o equipamento de sistema de rodízio em CDCs e futuros Clubes-Escola.

Recebi mais algumas perguntas, mas tenho de estar na Jovem Pan às 12h30, não dá para atrasar. Então, vou respondê-las pelos e-mails, telefones ou endereços. Agradeço a oportunidade de participação e viva o esporte.

RESPOSTAS DO SR. RICARDO MONTORO

1. Ricardo Brito pergunta como os projetos sociais e esportivos podem ajudar na melhoria da aprendizagem dos alunos de escolas públicas, pois são muitos os projetos e uma crescente inserção de ex-atletas profissionais nos mesmos. Não vejo que uma coisa seja incoerente com a outra, se é que entendi. Acho que não há dúvida, os projetos esportivos têm um caráter pedagógico muito grande. Qualquer dúvida, Ricardo, vou dar um cartão para você, e depois podemos bater um papo a respeito disso.

2. Marli Soares de Araújo diz que gostou de ver a apresentação do Hino Nacional no início e pergunta sobre o não cumprimento da lei que o obriga a cantá-lo nas aulas. Isso é verdade, devia ser cantado pelos alunos. Depois, vemos os nossos Jogadores, na Copa do Mundo, fingindo cantar o Hino Nacional, que muitos, senão a maioria, não aprenderam. As pessoas dão risada, ridicularizando-os, chamando-os de analfabetos. Acho que é uma atitude que deve ser tomada em todas as áreas. O Hino Nacional é muito bonito e, efetivamente, tem de ser cantado. Vamos trabalhar para isso. Já que existe a lei, vamos fazer ser cumprida.

3. Tiago Camargo pergunta como as ONGs que atuam com práticas esportivas e culturais na cidade podem participar dos programas. A Secretaria de Participação e Parceria está totalmente à disposição, para assessorar qualquer tipo de organização social que queira se cadastrar. A gente encaminha ao setor competente, ajuda na retirada do CNPJ, na questão das atas e, inclusive, temos uma publicação que demonstra e facilita a montagem e formalização dessas ONGs.

4. João Fernandes Muniz diz: Sendo um seminário que foca o esporte como recurso educacional, algo deveria ser dito também sobre os atletas com necessidades especiais. Não sei se você viu, João, no início, na execução do Hino Nacional, apareceu uma organização no vídeo – não lembro o nome – que é de deficientes mentais nadando numa piscina. Temos diversos projetos que cuidam de deficiência visual, física, motora e muitos deles utilizam o esporte como terapia.

Isso sem falar no apoio ao idoso e n aabsoluta inclusão da terceira idade em nosso compromissos esportivos. Para mais informações, estamos à disposição, na Secretaria.

5. Questão levantada pelo Vereador Marco Aurélio Cunha questiona por que só 20% das escolas da Prefeitura possuem quadras cobertas. Imaginem que antigamente as quadras não eram cobertas pois era comum que as escolas precisassem do terreno em seu entorno para construir novas salas de aula. Logo, imaginá-las cobertas hoje já é um novo desafio. Mas precisamos lutar por isso e seguramente o Clube-Escola é uma alternativa para que tenhamos atividade física inclusive no frio, na chuva ou sob calor intenso. Além disso, nobre secretário, (interpõe o Vereador Claudinho) é planejamento do Governo cobrir todas as quadras das escolas municipais da Capital. Só na região onde centro meu trabalho, cerca de 20 quadras foram cobertas em 2009.

PERÍODO DA TARDE

O ESPORTE PARA IDOSOS NA CIDADE DE SÃO PAULO
Palestrante: Dr. Egidio Dórea – Médico do Hospital de USP

EGIDIO DÓREA

Boa tarde a todos. Agradeço o convite para conversar com vocês sobre a prevenção de quedas. Na realidade, minha palestra será sobre prevenção de quedas com foco na parte da atividade física.

Inicialmente, tecerei alguns comentários sobre envelhecimento; posteriormente, evocarei dados relativos às quedas, razões por que o indivíduo idoso cai mais e qual o papel da atividade física tanto na prevenção primária como na prevenção secundária de quedas.

O Sr Egidio passa a referir-se a imagens na tela de projeção.

O envelhecimento é definido pela Organização Pan-Americana de Saúde como um processo inexorável, irreversível, comum a todas as espécies vivas e que faz com que o indivíduo esteja menos apto a reagir ao estresse provocado pelo meio ambiente, tornando-se, consequentemente, mais suscetível de morrer.

Todos envelhecem, e o envelhecimento começa a partir do momento em que nascemos. Só que o envelhecimento pode não acontecer de uma forma similar para todos os indivíduos: alguns envelhecem de uma forma melhor; outros, de forma pior. O que torna essa diferença evidente é o fato de o envelhecimento ser influenciado por fatores que acometem nossa vida, que podem tanto acelerar como retardar esse processo.

Dos fatores que aceleram esse processo de envelhecimento, temos as doenças coexistentes: diabetes, hipertensão, infarto e o AVC; e os hábitos de vida ditos não saudáveis, como o etilismo exagerado, o tabagismo e a ausência de atividade física regular. À medida que envelhecemos, determinados processos se tornam mais frequentes, as chamadas síndromes geriátricas, condições clínicas que assumem características próprias na faixa etária do idoso.

Como podemos caracterizar o processo de envelhecimento do Brasil e do mundo? Deixamos de ser um país jovem. Antigamente, dizíamos que nossa faixa de distribuição etária tinha um formato de pirâmide; hoje em dia, isso deixou de acontecer: as faixas etárias mais elevadas assumem um papel cada vez mais importante na nossa população. Se considerarmos o ano de 1960, observaremos que essa distribuição tinha, de fato, uma forma de pirâmide. Hoje em dia, temos um retângulo, os idosos representando uma parcela significativa de nossa população tanto do ponto de vista social como dos pontos de vista econômico e político.

Estima-se que em 2050 os indivíduos com mais de 80 anos de idade serão parcela representativa da população: de 50% a 60%. Hoje em dia, os idosos representam cerca 7% de nossa população, percentual assemelhado ao de adolescentes. Daqui a 40 anos, esses idosos representarão uma parcela muito maior do que a população de jovens, adolescentes e crianças.

Para terem uma ideia em relação à expectativa de vida, 12% da população têm mais de 65 anos. A duração média de vida no Brasil era de 33 anos em 1900; de 38 anos na década de 40 e, atualmente, em torno de 72 anos idade. No Estado de São Paulo, a média é de 74 anos de idade. Trata-se de uma evolução do ponto de vista do envelhecimento nunca antes observado na história da Medicina, ou seja, em praticamente seis décadas conseguimos aumentar nossa longevidade em 40 anos.

Com o envelhecimento, tornam-se frequentes os eventos conhecidos como síndromes geriátricas, dentre os quais citamos as quedas. A queda pode ser definida como a situação que leva o indivíduo a repousar no solo ou no nível mais baixo, podendo ou não ser presenciada por uma testemunha. Ela deve ser incluída como causa de acidente externo e como uma das causas relacionadas com perda de consciência.

E por que queda é um evento tão importante para essa população? Primeiro, pela sua frequência. Cerca de 30% a 40% dos indivíduos acima de 65 anos caem ao ano. Desses, 50% voltam a cair nos anos subsequentes. As quedas representam 5% do total de hospitalizações no País. Dez por cento das quedas estão associadas a lesões graves como traumatismo crâniencefálico, fratura de quadril e bacia e outras, sobretudo nos membros superiores. Cerca de 25% a 75% dos indivíduos que têm fratura de bacia tornam-se incapacitados funcionalmente e, desses, a mortalidade no ano posterior é de 20% a 30%.

Isso significa dizer que queda na população idosa é um evento importante tanto do ponto de vista de morbidade e incapacidade funcional como do ponto de vista de mortalidade. Hoje em dia, a queda é a principal causa de mortalidade por fatores externos no Brasil e no mundo, sendo que no mundo representa a sexta causa de mortalidade na população idosa em termos gerais.

Cinquenta por cento dos indivíduos que caem não conseguem levantar sem o auxílio de outra pessoa. Conforme pesquisa feita em instituições americanas, 80% das mulheres idosas disseram preferir a morte a ter uma queda e posterior ingresso em casa de saúde. E queda, hoje em dia, é a principal causa de entrada precoce em casas de saúde.

No Brasil, dos indivíduos entre 65 e 74 anos, cerca de 32% caem; dos indivíduos entre 75 e 84 anos, 35% caem; e dos indivíduos acima dos 85 anos, 50% caem. Esses dados são similares aos da literatura mundial, ou seja, o idoso brasileiro cai tanto quanto o idoso no restante do mundo. No Estado de São Paulo, a incidência de quedas é de 0,02 a 1,6 queda/pessoa/ano. A mortalidade por queda subiu de 3% para 4,5%. Houve um aumento de praticamente 50% nos casos de morte determinados por queda no Brasil.

E que fatores determinam que o indivíduo idoso tenha uma facilidade, uma suscetibilidade maior para cair? São aspectos inerentes ao envelhecimento, mas que podem ser melhorados com a prática de determinadas atividades ou com a adoção de hábitos que diminuam o risco de cair.

Em relação aos olhos, temos a presbiopia, que é o envelhecimento da visão. A partir dos 40 anos de idade, nossos olhos já não conseguem ter a mesma acuidade de antes. Precisamos, cada vez mais, afastar os livros para conseguir ler. Esse fenômeno é frequente, comum a todo idoso. O paciente idoso tem uma adaptação mais lenta ao escuro. Se ele sai de um ambiente claro e vai para um ambiente escuro, há uma reatividade pupilar diminuída, o que faz com que o indivíduo leve mais tempo para se adaptar ao ambiente escuro, favorecendo o risco de queda em casos de ambientes pouco iluminados.

O paciente idoso perde a sensibilidade para o contraste, de forma que a diferenciação de cor, de profundidade e de mudança do cinza para o escuro e para o branco é perdida. Isso faz com que, ao subir ou descer uma escada, tenha pouco sentido de profundidade, de diferença de um nível para o outro, o que aumenta sobremaneira o risco de quedas.

Em relação ao sistema nervoso, ocorrem algumas alterações, próprias também do envelhecimento, que favorecem muito o risco de quedas. Em primeiro lugar, a diminuição do tônus muscular, frequente na população idosa, independente de haver ou não doenças. Cerca de 30% a 40% dos idosos normais, sem patologias, apresentam redução da força muscular de membros inferiores. Em segundo lugar, a diminuição do tônus simpático, que faz parte do nosso Sistema Nervoso Autônomo, responsável pela manutenção de nossas funções neurovegetativas.

Então, pressão, frequência cardíaca, variabilidade de pressão e frequência frente às modificações do ambiente, frente às mudanças posturais, tudo isso é perdido no paciente idoso, que tem mais risco de hipotensão postural. Lembremos que cerca de 50% dos indivíduos acima dos 50 anos de idade são hipertensos. Desses, 70% necessitam de dois ou três medicamentos para controlar sua pressão. Vários desses medicamentos potencializam o risco de hipotensão postural, que é fator de risco para quedas.

Redução de propriocepção. Propriocepção é a relação do nosso corpo – determinado por receptores que existem em nossas articulações – com o ambiente. Por perder essa capacidade natural, o paciente idoso tem menos noção do ambiente e dos obstáculos que o cercam. Se está caminhando e vislumbra uma cadeira ou se de repente aparece uma pessoa que lhe cruza o caminho, ele tem uma reatividade menor e, dessa forma, uma maior tendência a cair por uma diminuição dessa perda de reatividade e pela alteração de sua propriocepção.

Lentificação dos reflexos e perda do controle postural e de marcha. Alteração de marcha é um dos fatores de risco mais importantes associado à queda. Ela pode estar presente tanto em uma pessoa portadora de Parkinson como em uma pessoa que perde tônus muscular e que tem alteração de equilíbrio. Isso é verificado por uma prática simples no consultório médico, por meio de um teste que chamamos de Get up and Go, em que se pede para o paciente levantar da cadeira, andar três metros e voltar à cadeira. Nesse movimento de ele se transferir da cadeira para o solo, andar, fazer o retorno de 360 graus, voltar e sentar-se, consegue-se determinar quais as alterações de marcha e de mobilidade que aquele paciente apresenta.

O paciente idoso tem uma diminuição da amplitude do passo: os passos tornam-se mais reduzidos. Ele apresenta, também, uma alteração na relação entre movimento de deslocamento de membros superiores e inferiores. O balanço dele também é diminuído durante a marcha. Para compensar essa redução do passo e do equilíbrio, ele tenta aumentar um pouco a sua base de sustentação. Tudo isso faz com que o indivíduo corra um risco maior de cair, o que pode ser verificado de uma forma simples, por meio do Get up and Go, teste pelo qual você consegue diagnosticar se o paciente tem um risco maior ou menor de cair.

Em relação ao aparelho cardiovascular, com a idade, temos também uma redução de nossa reserva funcional. Nosso coração fica menos apto a reagir a estresse determinado pelo ambiente. Se o indivíduo idoso tem de correr e, para tanto, tem de aumentar seu débito cardíaco – que é a quantidade de sangue que o coração consegue injetar por determinada frequência -, ele já não consegue fazer isso de uma maneira tão eficiente quanto o paciente jovem. Isso faz com que tenha uma capacidade menor de reagir aos estresses do ambiente.

Os indivíduos idosos apresentam uma maior taxa de alterações do ritmo cardíaco, alterações rítmicas essas que podem chegar a determinar uma redução do débito e, consequentemente, a um maior risco de ter lipotimia, síncopes e de cair.

Em relação ao aparelho respiratório, o indivíduo idoso apresenta: uma menor adaptação ao exercício, pela própria diminuição da reserva funcional do aparelho respiratório; e uma maior tendência a infecções.

Em relação aos ossos, há uma diminuição da reabsorção óssea. O indivíduo tem um remodelamento ósseo diminuído e uma tendência a ter um osso mais fraco. Consequentemente, no momento em que cai, pode ter mais risco de fraturas. Quando falamos de quedas entre idosos, não estamos dizendo que sejam menos comuns nos pacientes adolescentes e em crianças. Se observarmos bem, constataremos que as crianças caem muito mais do que os idosos; porém a repercussão da queda em ambos é totalmente diferente.

O paciente jovem consegue reagir, não terá uma fratura com tanta facilidade quanto o paciente idoso. Além disso, no jovem, na maioria das vezes, uma queda não determina sua incapacidade funcional, ao contrário do que comumente ocorre entre pacientes idosos.

O aparelho urinário do idoso tem uma capacidade vesical diminuída, perde a capacidade de concentração urinária. A pessoa começa a ter o que chamamos de nictúria: precisa ir ao banheiro mais vezes durante a noite para urinar, o que aumenta o risco de quedas, porque, no momento em que se levanta, a altura da cama, a iluminação do quarto, se há ou não carpete ou um fio solto no meio do caminho e se não há barra de sustentação no banheiro, tudo isso determina um risco maior de queda.

Assim, a queda é um evento multifatorial, que envolve: fraqueza de membros inferiores, alteração visual, alteração na preensão manual, fatores ambientais, alteração de marcha e diminuição de reflexos.

Fatores de risco. Quanto mais idosa for a pessoa, maior o risco de cair. As mulheres têm uma tendência maior a ter quedas e, algumas vezes, maiores repercussões decorrentes dessas quedas, sobretudo fraturas em função da incidência maior de osteoporose. História de queda prévia é o principal fator de risco. Uma pergunta clássica que tem de ser feita a todo familiar do idoso e ao próprio idoso acima de 65 anos é se ele já caiu. Se já tiver caído, o risco de cair novamente é alto.

Então, as medidas têm de ser tomadas pelas próprias pessoas que cercam esses idosos. É necessário observar o ambiente onde esse indivíduo vive, olhar como é o seu quarto, ver se a altura da cama está num nível apropriado, se há tapetes soltos. Importante ver se no banheiro há tapetes sem ventosas, se a altura do assento sanitário é adequada, se há barra de apoio dentro do box e, havendo banheira, se há barra de apoio para auxílio à sua saída.

Quanto a cozinha desse idoso, é imprescindível observar onde estão os utensílios que usa mais frequentemente. Esses utensílios têm de estar na altura da cintura, para evitar que ele suba numa escada ou numa cadeira para pegá-los.

Nas escadas, é necessário observar: se há corrimãos dos dois lados, se há iluminação suficiente, se há interruptor na parte de baixo e na parte de cima. É necessário ainda ver se no momento em que acaba a escada muda a coloração do piso, de tal modo que o idoso consiga diferenciar o piso do degrau do piso no território plano.

Isso tudo não precisa ser feito por um médico ou por um assistente social ou por um fisioterapeuta; pode ser feito por um familiar ou por um conhecido de uma pessoa que já caiu e pode vir a cair novamente.

Fraqueza de membros inferiores, como citei, é um evento frequente e limitador da pessoa idosa. Isso pode ser melhorado com a prática regular de exercício físico, como a cicloergometria sem resistência, uma prática de caminhada de forma adequada, enfim, exercícios que não coloquem o idoso em risco cardiovascular.

Redução do equilíbrio. Existem determinadas atividades que podem melhorar o equilíbrio da pessoa idosa. Pode ser aproveitado o próprio território em que o indivíduo faz a caminhada, com exercícios como o trançar das pernas de uma forma segura e que melhoram tanto o equilíbrio como a propriocepção.

Dificuldade de marcha. Algumas vezes, o uso de aparelhos de assistência à deambulação, desde que adaptados para o biotipo daquela pessoa, pode diminuir, e muito, o risco de cair.

Uso de medicamentos. Em alguns casos, deve ser revisto o plano terapêutico desse indivíduo. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que mais de 50% dos idosos usam mais de cinco medicamentos. A “polifarmácia”, como chamamos, determina um risco maior de cair, sendo que, muitas vezes, esses medicamentos podem ter seu plano terapêutico alterado de tal forma que esse risco seja diminuído. Cerca de 30% dos idosos usam psicotrópicos, benzodiazepínicos para dorm ir, o que aumenta o risco de queda. Tudo isso pode ser revisto pelo médico que acompanha esse paciente.

Foi observado que quanto maior o número de fatores de risco, maior a probabilidade de quedas. A pessoa idosa que está vulnerável a um fator de risco tem cerca de 18% de risco de cair; se considerar quatro ou mais fatores de risco, esse percentual aumenta para 78%. Hoje em dia, na avaliação de um paciente idoso em relação ao risco de cair, faz-se uma abordagem individual levando-se em conta fatores de risco específicos que aquela pessoa apresenta.

Atualmente, não se faz uma abordagem geral. É preciso pegar o indivíduo e atuar no seu próprio fator de risco, Isso tem se mostrado efetivo na redução do risco de quedas.

Quais são os fatores decorrentes da queda? O primeiro fator é a ansiedade pós-queda. 50% das pessoas que caem desenvolvem o que chamamos de medo de cair. Isso isola socialmente o indivíduo e aumenta o risco de depressão. O fato de se isolar faz com que ele se descondicione, que fique cada vez mais com alteração importante de massa, de fraqueza de membros inferiores, potencializando o risco de queda posterior.

A queda antecipa restrições, o paciente fica incapaz de realizar suas atividades de vida diária: alimentação, higiene e autonomia ao se vestir. Tudo isso é perdido com a queda, o que gera uma dependência cada vez maior, levando-o à depressão.

Há aumento de gastos com cuidados médicos, aumento da necessidade de visita domiciliar. Hoje em dia, temos vários pacientes em programas de assistência domiciliar por decorrência de queda.

Como prevenir a queda? Orientando o indivíduo e a família sobre os riscos e consequências da queda. Reduzindo a ingestão alcoólica excessiva, que é uma causa importante de queda. Na realidade, existe um estudo feito nas unidades de emergência dos EUA que mostrou ser esse o principal fator associado à queda em pacientes idosos. Além disso, a prevenção passa por uma avaliação oftalmológica e auditiva anual, avaliação nutricional e correção dos fatores ambientais.

Nas medidas gerais de promoção de saúde, temos o exercício físico, que faz parte de todo programa de prevenção de quedas. Independentemente, se o programa foca primariamente modificações de fatores ambientais, se é focado em polifarmácias, em marcha, em avaliação auditiva e visual, todos eles adotam a prática de exercício físico regular como um dos aspectos importantes da prevenção de quedas. Por quê? Pois o exercício físico melhora o equilíbrio, melhora a marcha, fortalece a musculatura proximal de membros inferiores, melhora a amplitude articular, a amplitude do movimento, dá um aumento da flexibilidade do músculo.

Há um ano, criamos a praça de prevenção de quedas, que é a Praça do Idoso, no Parque da Água Branca. O sistema foi de adoção de atividades físicas, que eram exercícios físicos autoexplicativos associados a uma redução de fatores de riscos intrínsecos.

A praça compõe-se de estações. Em cada estação, o usuário conhece os objetivos daquele exercício, aprende como realizá-lo e que precauções tomar na hora de fazê-lo. Temos, por exemplo, a estação de cicloergometria, com exercício de baixa resistência, adaptados para dois tipos de altura. Já a estação do senta/levanta tem a finalidade primária de fortalecer a musculatura dos membros inferiores: o indivíduo senta e tenta repetir determinada série em determinado tempo. À medida que vai adquirindo mais força e condicionamento, o usuário aumenta o número de séries, repetindo ou diminuindo seu tempo.

Na estação da marcha – composta por escada e rampa – munido de apoio, o idoso sobe escada e desce rampa (ou vice-versa). Isso facilita marcha e deslocamento. Na estação das barras paralelas o indivíduo alterna o movimento do braço com o movimento da perna. Aos poucos, ele passa para o movimento de trançar as pernas caminhando entre obstáculos. Com isso, melhora equilíbrio, propriocepção. Sabe onde colocar o pé naquele intervalo entre os dois obstáculos, e conhece a amplitude do movimento que tem de dar.

Por fim, vem a estação de reabilitação, com aparelhos destinados a melhorar os movimentos restringidos por duas fraturas comumente associadas à queda: do punho e do ombro.

Queremos o idoso envelhecendo com saúde, para si nem ônus para seus familiares. Para isso é necessária adoção de hábitos de vida saudáveis desde a fase mais precoce. Mas isso não quer dizer que você não possa adotá-los agora. Afinal, nunca é tarde para começar a viver bem.

Muito obrigado.

O FUNCIONAMENTO DOS CDCs, CENTRO OLÍMPICO, CLUBES-ESCOLA E A FALTA DE ESPAÇOS ESPORTIVOS NA CIDADE

Palestrante: Edélcio Paschoalin – Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação

EDÉLCIO PASCHOALIN

Estou aqui na condição de ex-funcionário da Secretaria de Esportes, portanto, não represento a Secretaria: falo do que vivenciamos à época.

Muitos ouvem falar hoje de CDC, CDM, e sequer sabem como isso aconteceu, como apareceram na Cidade. E na época em que a ideia do CDM surgiu, foi exatamente no sentido de regularização daqueles espaços públicos, na maioria municipais, para se dar uma utilização correta, porque estavam de certa forma invadidos.

Muitos tinham campo de futebol. A Sociedade Amigos de Bairro, na época, também ocupava esses espaços, e a dificuldade maior era exatamente de manter esses espaços fora da especulação, no sentido de estarem sempre bem utilizados, fora das invasões que ocorriam normalmente. Então, decidimos transformar aqueles espaços – clubes de várzea, campos de futebol de várzea – em espaços públicos que pudessem abrigar outros tipos de atividades para a comunidade. Mas, principalmente, para poder regularizar essas áreas e fazer com que não ficassem vulneráveis à especulação e às invasões.

Na época do Prefeito Olavo Setúbal, surgiu o primeiro decreto que regulamentou os CDCs, que era exatamente para regularizar as áreas. E várias alterações aconteceram nesse decreto. Quero que atentem para o fato de que foi por meio de decreto que surgiram os CDMs.

Depois, o Prefeito Jânio Quadros, publicou novo decreto, o 26.137, que permitiu aos CDCs uma integração urbana maior e, cumprindo sua finalidade primordial de promover o desenvolvimento das atividades comunitárias nos clubes esportivos.

A partir daí, começou-se a cogitar a utilização das áreas pela comunidade, já que até então eram alguns clubes de futebol de várzea que usavam aqueles espaços. Isso já demonstrava pequena intervenção do Poder Público junto a essas atividades e, principalmente, porque o esporte e atividade física não podem estar dissociados da educação. Um complementa o outro, isso é fundamental.

Como bem lembrou o Sr. Walter Feldman, esta Casa nunca deu ao esporte a atenção necessária, tratando-o sempre ao reboque da educação. No caso dos idosos, por exemplo: se desde aquela época tivéssemos ações que previnissem a queda e conscientizassem esse segmento sobre a importância da atividade física, quem sabe, a longevidade hoje fosse superior a 72 anos. E a qualidade de vida fosse muito melhor.

O fato é que só em 2004 foi promulgada a Lei 13.718, que dispõe sobre a organização dos clubes esportivos municipais e dá outras providências. Veja o longo tempo que passamos com uma legislação baseada em decreto. Decreto é muito pouco, não tem força nenhuma. É instrumento que regulariza, mas fracamente.

O que acontecia? A maioria dos espaços públicos destinados ao esporte foram perdidos par a construção de escolas, creches, hospitais etc. Não estou dizendo que construí-los não era importante; mas o fato que eles eram construídos onde havia campo de futebo. Construir uma escola, por exemplo, era fácil: iam ao campo de futebol e faziam uma escola lá. Agora pergunto: e como construir outro campo de futebol?

Muitas áreas foram perdidas desde aquela época em função de não haver uma legislação específica? Fiquei mais contente ainda quando o nobre Vereador Claudinho disse hoje que estão criando uma lei que não permite a utilização de um espaço público destinado ao esporte para outra finalidade. Isso já acontece no Plano Diretor. Mas essa lei facilita muito a manutenção desses espaços públicos.

A partir da lei de 2004, ficou um pouco mais difícil utilizar uma área destinada ao esporte para outra atividade. Tanto é verdade, que hoje já não se perde tanta área assim. Então, os clubes municipais, nessa época, passam a ser denominados Clubes da Comunidade, por uma ação do nobre Vereador Claudio Fonseca.

Os CDCs sempre funcionaram de forma individualizada, precisavam gerar recursos para sua subsistência. Desde sua criação, ação do Poder Público protegia essas áreas. nenhum equipamento recebia verba pública para subsistir e, principalmente, para construir qualquer outra coisa. A própria comunidade precisava se cotizar. Os CDCs locavam seus espaços para pagar contas de água e luz.

Houve uma época em que, num curto prazo, certo governo eximiu os CDCs da responsabilidade de pagar contas de água e luz. Mas, na próxima administração, tudo voltou a ser como era. Estas são unidades da Administração Indireta e não recebem verba do Poder Público para poder subsistir. A lei, inclusive, não permite isso. Agora, com o Fundo Municipal de Esporte isso será possível.

Falta de políticas públicas para o desenvolvimento de atividades esportivas orientadas: até aquele momento, não havia política pública que capaz de levar ao CDC qualquer atividade física que não fosse subsidiada pelo próprio Centro. Agora imagine, um CDC que mal conseguia pagar água e luz, tendo que contratar profissionais de educação física para executar suas atividades?

A situação era insustentável. A menos que alguém, um voluntário qualquer, que tivesse lá uma escolinha de futebol, conseguisse fazer com que as crianças, num determinado período, jogassem ou aprendessem alguma coisa, sem qualquer didática, processo pedagógico ou orientação.

A única coisa que tivemos, a partir de 1997, 1998, foi um programa na Secretaria de Esportes: o Mais Esporte, que continua hoje com outro nome. Os ex-atletas foram repatriados pela Secretaria de Esporte. Perderam a situação no Estado, passaram para a Secretaria de Esportes do Município e se criou o Mais Esporte.

O Mais Esporte era apenas futebol. Ex-atletas de futebol eram locados pelos equipamentos de Administração Direta e Indireta – lembrando aqui que de Administração Direta são os Centros Educacionais Esportivos; diferentemente dos CDCs.

No Mais Esporte havia um precário controle de atividade e de frequência. e atividade. A Secretaria não tinha estrutura para fazer isso. Acompanhamento médico praticamente inexistia. Além disso, não se dava atenção à continuidade do participante no mundo esportivo, depois que ele saia do projeto. A menos que se tornasse um atleta expoente da Portuguesa, do São Paulo, do Corinthians.

Os ex-atletas eram contratados, mas chegou um momento em que a Secretaria não conseguia mais assumi-los. Então, criamos o Clube-Escola temático de futebol, uma honrosa saída para que os ex-atletas continuassem trabalhando, e a comunidade usufruindo de seus préstimos.

Dentro desse contexto, na administração de Olavo Setubal, surgiu o primeiro Centro Centro Olímpico. porque foi concebido e construído nessa época do Prefeito Olavo concebido para se tornar um centro de referência em treinamento, dotado de toda infraestrutura necessária para o desenvolvimento de atletas de alto nível. Por lá passaram estrelas com Hortência, do basquete; Marta, Amauri e Renan, do vôlei. Mas, lamentavelmente, as administrações mudam e os programas também. Não há uma continuidade dos programas iniciados na Secretaria. Isso impossibilita saber inclusive se o programa é bom ou não. Não há tempo sequer de que este laboratório se processe. E, além do mais, nenhum programa é 100% perfeito no momento de sua criação; precisa sempre passar por processo de reformulação, adaptação e atualização para se tornar cada vez mais eficiente e duradouro.

Naquela época, havia um programa chamado Adote um Atleta, em que as empresas subsidiavam transporte, escola, manutenção da família, até que essas crianças pudessem dedicar mais tempo aos treinamentos, até ganharem projeção no cenário esportivo. Alguém pode dizer: “mas era um programa extremamente elitista”. Não tenha dúvida, porque não havia a participação no governo. Como já falamos, não há condições de se fazer algo, principalmente em uma cidade como São Paulo, sem que o Poder Público esteja por trás.

Não adianta querermos apenas que as grandes empresas patrocinem. Vão patrocinar, sem dúvida. Hoje vemos atletas patrocinados por grandes empresas. Mas ficamos naquela situação de alguns poucos atletas. Não temos a massa, a quantidade, para termos projeção internacional maior do que a já alcançada.

Mais adiante, baseado num conceito de massificação esportiva, da quantidade à qualidade, e usando os recursos técnicos que tínhamos na Secretaria criamos o Plano de Ação Desportiva. O Plano primava pela padronização. Todos trabalhavam da mesma forma, baseados em alguns programas, na busca de seus objetivos específicos. Foram editadas cartilhas para cada segmento em formação, com prioridade para atletismo, basquete, ginástica olímpica, judô, natação e voleibol: modalidades para as quais a Secretaria estava bem estruturada a detectar e desenvolver atletas.

Sem mais nem porque, numa mudança de governo, nosso pátio foi simplesmente tirado de ação. Nada foi colocado no lugar. Novamente voltávamos à estaca zero. Os profissionais passaram a trabalhar sem qualquer tipo de objetivo. E as crianças a fazer meros programas de recreação. Desmotivação total, para quem já estava formando atletas competitivos.

Em 2007, o Secretário Walter Feldman, junto com o corpo técnico da Secretaria, resolveu lançar um Clube-Escola. O Decreto 48.392 instituiu o Programa Clube-Escola para atender não só a Administração Direta, mas também a Administração Indireta. Repito: até esse momento, nenhuma política pública, havia sido criada e direcionada a atender os clubes da comunidade. Ou seja, clube da comunidade zero, porque não tinha participação do Governo.

Assim que o programa foi instituído, passamos a contar com a participação de outras Secretarias. Não adianta só a Secretaria de Esportes. É preciso que outras, como a de Educação, Saúde, Participação e Parceria caminhem juntas no processo, proporcionando cada vez mais atividades para as crianças.

Primeiro, foram escolhidos sete CDCs em condições de receber o Clube-Escola de imediato, sem sofrer nenhum tipo de alteração ou reforma. A partir daí, com subsídios da Secretaria de Esportes, passamos a reformar os demais e integrá-los também ao programa. Hoje, mais sete já dão suporte ao Clube-Escola, sem precisarmos mexer na estrutura administrativa deles. A comunidade continua gerenciando e comandando a gestão das unidades.

O Clube-Escola vem complementar aquela situação de ociosidade detectada quando o Secretário Walter Feldman assumiu. Os CDCs só funcionavam aos fins de semana, por conta das equipes de futebol e pelo esforço da população. Durante a semana, não adiantava as crianças irem para lá, porque não havia atividade sistemática e orientada. As crianças podiam empinar pipa, jogar peão, futebol, mas sem qualquer tipo de orientação profissional.

O Clube-Escola foi criado para que essa ociosidade não acontecesse mais, com um trabalho orientado por profissionais, subsidiado pelo Governo. Com lanche, uniforme e toda a estrutura para desenvolver qualquer tipo de atividade física, investir em nossas crianças e descobrir valores que poderão ser grandes nomes num futuro próximo.

Além disso existem também os Clubes-Escola temáticos, como a escola de vela do CDC da Av. Robert Kennedy, às margens da represa de Guarapiranga, e o Modelódromo do Ibirapuera, próximo ao Obelisco.

Nesse nosso encontro, tentei mostrar um pouco da história, para dizer que muita coisa foi feita pela Secretaria de Esportes e pelos profissionais que por lá passaram. Porém, não houve a continuidade necessária a esses programas.

Precisamos compreender a importância, a amplitude e o alcance de um trabalho como o Clube-Escola. Só assim poderemos defender sua continuidade junto às novas administrações, que certamente hão e vir.

Enquanto isso, temos a responsabilidade de implantar o Clube-Escola em todas as unidades da Secretaria, em nome de uma vida mais saudável para toda a população paulistana.

Muito obrigado.

INICIATIVA DO 3º SETOR NO ESPORTE E NO LAZER

Palestrante: Ana Moser – Coordenadora do Grupo de Trabalho de Esportes do Movimento Nossa São Paulo

ANA MOSER

Boa tarde. Hoje, venho falar sobre o Movimento Nossa São Paulo e quero, rapidamente, fazer a apresentação do meu currículo da área social. Fora do esporte e competição, estou há oito anos à frente do Instituto Esporte e Educação, ONG criada em 2001 e transformada em OSCIP em 2003. Nosso instituto atua em três principais frentes: formação de professores; atendimento direto à criança e ao adolescente e atuação no sentido de influenciar as políticas públicas, por meio de ação prática nos núcleos e parcerias em alguns municípios.

Na cidade de São Paulo, coordenamos 20 núcleos, com cerca de 7 mil alunos e várias parcerias. Temos parceria com a Secretaria Municipal de Educação, com duas Coordenadorias Municipais no Programa São Paulo e com dois Clubes-Escolas. Por meio de editais, nosso Instituto contrata ONGs para desenvolver oficinas no contra turno das escolas municipais, sendo responsável pela coordenação de 20 núcleos e 7 mil alunos com várias parcerias.

Temos outros núcleos com outras parcerias, como é o caso da CDHU, em que boa parte dos recursos vem da iniciativa privada. Este ano, estamos trabalhando bastante com a lei federal de incentivo ao esporte. Nossa estratégia, como instituição, é buscar os espaços vazios, tendo como princípio levar o esporte para todos. Não temos o objetivo de desenvolver atletas. Não que a gente não valorize e não reconheça o esporte competitivo e a formação de atletas, mas se tivéssemos essa estratégia, estaríamos trabalhando com grupos menores. Quando queremos formar um time, trabalhamos com 12 ou 15 atletas. Como trabalhamos com um objetivo mais educacional, temos turmas de 30 alunos. É uma questão de escolha mesmo, buscar espaços onde se possa alcançar o maior número possível de crianças e adolescentes. Temos três núcleos em Heliópolis; sete na zona Sul e oito na zona Leste.

Temos um programa muito forte, de educação continuada para professores. Acreditamos na quebra de paradigmas da função do educador esportivo. Este educador precisa ir além de desenvolver atletas: deve buscar uma ação pedagógica formativa intencional. Que não sejam técnicos, mas mediadores dos processos educacionais.

Muitas vezes, a universidade peca ao formar professores tanto para as escolas, quanto para ações em que a intenção é incluir e trabalhar com a diversidade, não só com os mais habilidosos. Por isso, acreditamos que essa questão da formação é muito importante e temos um programa de formação continuada, com vários cursos. Esse movimento que fazemos em São Paulo, com 20 núcleos, também é feito nos municípios de Sorocaba, Itatiba, Rio de Janeiro e algumas cidades do Sul do País. Nessa relação com os municípios, acabamos provocando e demonstrando boas práticas de metodologia, estratégia e coordenação.

A partir de 2007, começou em São Paulo, um movimento de pessoas e instituições da sociedade civil, que juntaram forças. Eram poucos e logo eram muitos e, hoje, são muitos mais. Em torno desse movimento – Nossa São Paulo – o objetivo é construir uma cidade justa e sustentável. Temos como resultado a lei municipal, que obriga os governantes a apresentarem um plano de metas: querem chegar nas diversas áreas da gestão pública, Saúde, Educação, Habitação, Transportes, Segurança, Meio Ambiente, Cultura, Esportes. Essas metas podem ser acompanhadas pela sociedade. Essa foi uma grande conquista.

Dentro desse movimento existem Grupos de Trabalho referentes a várias áreas: GT de Esportes; GT de Educação; GT de Saúde; GT de Meio Ambiente; GT de Cultura e GT de Orçamento. São grupos organizados, que estão cuidando de áreas específicas. Dessa maneira, organizamos e temos trabalhado com algumas instituições representativas.

No Fórum, realizado ano passado, foram apresentadas nossas propostas para a sociedade e para a Secretaria de Esporte. A primeira delas vem da constatação da falta de organização e sistematização dos dados, sobre o que existe na área de esportes na Cidade. Com essa falta de organização fica difícil ter um olhar de gestão, porque a realidade do Município em relação ao esporte não está clara. Não há dados sobre o número e localização dos equipamentos, p or bairro e por distrito; o número de vagas oferecidas; o número de professores atuando, enfim, não existe um parâmetro. Então, a primeira proposta é buscar essa organização e esse retrato do Município.

Como segunda proposta, pensamos na organização da Cidade e na busca de oportunidades nas várias regiões, para que o próprio cidadão se apodere da realidade local, interaja e tenha condição de ser protagonista na gestão do seu município. Isso não é novidade, não vem só do GT de Esportes, mas é uma tendência de todos os GTs do movimento. Inclusive, temos participado bastante dos Conselhos de Representantes, para buscar adequar a lei e a regulamentação no sentido de que esses conselhos possam atuar nas várias regiões, buscando a democratização da gestão municipal e, ao mesmo tempo, dando oportunidade de participação para todos, desenvolvendo a responsabilidade de cada cidadão na gestão pública.

Por último, propusemos um amplo plano municipal de esporte. Acredito que na Câmara Municipal, nunca tivemos a oportunidade de falar sobre esporte de uma maneira mais ampla. Precisamos discutir o esporte; o que é o esporte; o que se quer do esporte; qual o seu potencial e que políticas devem ser construídas ou legitimadas, para termos uma realidade diferente. Nesse sentido, que possamos ter o maior número de pessoas praticando o esporte, beneficiando-se das coisas boas que o esporte tem, para todas as idades.

Esses são os três eixos para a discussão de um plano municipal de esporte, a respeito dos espaços públicos, setorização, ampliação das vagas, qualificação do atendimento e a construção coletiva, integrando a sociedade civil e o Poder Público. Temos algumas colaborações que vieram de pessoas durante o fórum. São propostas de cidadãos, não necessariamente ligados a alguma instituição e que retratam o interesse da Cidade: construção de espaços no Anhangabau, Aclimação, Santana e Tucuruvi; ciclovias na região central, Av. Sumaré e Pacaembu; pista de cooper; parque ecológico, esportes radicais, equipamentos 24 horas e, pelo menos, dez equipamentos por distrito.

Com relação à estratégia de movimento da população, temos a política de utilização dos CEUs e escolas nos finais de semana; integração entre os espaços esportivos e atividades socioculturais das bibliotecas e laboratórios; promoção da segurança cidadã, a partir da ocupação dos espaços públicos e realização de torneios esportivos regionalizados e eventos posteriores com os campeões de cada região.

Com relação à ampliação das vagas de qualificação, propomos distribuição equilibrada por demanda, que atenda a todas as idades de interesses, a partir de estratégias de envolvimento da comunidade na implantação e organização das atividades, de políticas de sustentabilidade local, da qualificação do atendimento, tudo com foco na capacitação de agentes esportivos e entidades atuais.

Tudo isso, além da construção coletiva, integrando frentes sempre muito difíceis numa discussão do esporte, especificamente a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde, que são as pernas quando falamos em atividade física.

Quando se fala em atividade física, fala-se em atividade motora; em desenvolvimento de crianças e adolescentes, no esporte como forma de implantar hábitos saudáveis e que melhorem a qualidade de vida e a situação de saúde de adultos e de idosos. A proposta, então, é a participação da Educação Física na discussão do Plano Municipal de Educação e a construção de políticas públicas de Saúde.

Enfim, não há novidade. Estamos falando do anseio de qualquer área ou setor de atividade. Para realizar esse desejo, não basta fazer juízo sobre a boa ou a má administração. É preciso arregaçar as mangas, se apropriar dos espaços e construir uma cidade a imagem e semelhança dos nossos ideais. Mesmo porque, hoje – assim como noutros tempos – as pessoas que atuam no município estarão sempre correndo atrás do rabo, já que precisam unir forças, já que ninguém vai resolver o problema sozinho.

Estamos começando a amadurecer, a provocar uma articulação mais forte, diversa e representativa no Município de São Paulo. O Movimento Nossa São Paulo é um caminho; o Conselho de Representantes é outro. Os dois dão espaço para que a organização social tenha voz e vez através do esporte.

Mas isso é só o começo. Precisamos de muitas oportunidades como esta, para colocar a discussão na pauta. Sentimos sempre muita falta de fóruns que discutam o Esporte, sentimos muito falta sempre de representantes da Educação – sendo que também há problemas com as áreas da Educação Física com os espaços esportivos, que são nossas salas de aula. Ao divorciarmos a Educação Física e o Esporte da Educação, perdemos a chance de desenvolver isso dentro da escola, que é o espaço ideal ao desenvolvimento físico e mental.

Esta é a contribuição do GT de Esportes do Movimento Nossa Paulo para o Seminário Esporte como Recurso Educacional em São Paulo e para todos os segmentos sociais interessados nessa discussão.

INICIATIVA DO 3º SETOR NO ESPORTE E NO LAZER

Palestrante: Raí Souza Vieira de Oliveira – da Fundação Gol de Letra

RAÍ SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA

Boa tarde a todos. Obrigado pelo convite.

Vou falar sobre esporte com base na minha experiência de futebolista, no meu envolvimento com o Gol de Letra e na minha identificação com movimentos como o Nossa São Paulo, entre outros.

Resumidamente, o Gol de Letra está fazendo dez anos. É uma instituição que não trabalha só com o esporte: tem instituidores ligados ao esporte. O nome é Gol de Letra, mas a questão é o esporte pela educação, tentando fazer um jogo de palavras. É um projeto de desenvolvimento comunitário, que trabalha muito com a educação e com várias linguagens, entre elas o esporte, lógico, ligadas a atividades culturais, atividades literárias, informática e também a esportiva. E temos ainda o projeto Jogo Aberto, especificamente ligado ao esporte.

Quando iniciamos, dez anos atrás, existia um certo receio do envolvimento com o Poder Público, o que isso poderia gerar, até por sermos pessoas públicas. Mas, depois de um tempo, até pelo tamanho do projeto, pelo impacto que tem na região em são Paulo – e também no Rio de Janeiro –, chega um momento em que se quisermos conquistar mais e melhores resultados, quiser ter mais impacto, precisamos buscar essa troca com o Poder Público. E, de uns anos para cá, vimos estudando maneiras – inclusive com o auxílio do Vereador Marco Aurélio Cunha – de fazer em parceria com o Ministério, com a Secretaria de Esportes e com a Prefeitura de uma maneira mais global.

Quis dizer isso, dessa experiência da Gol de Letra com a política pública, porque é no que acredito. Acho que, pelos depoimentos que vi aqui, à tarde, do Edélcio, da Ana e de várias outras opiniões que estamos ouvindo, fica óbvio o que se necessita para que tenhamos mais eficiência e possamos aproveitar ao máximo a atividade física no processo educativo, na cidadania, na democratização da atividade física. E fica claro que falta uma política mais ampla de integração de todas as correntes aqui reunidas hoje.

Tudo o que foi colocado aqui foram várias tentativas e boas idéias. Uma decreto, uma lei, uma decisão de governo. Mas, que a partir de certo momento, eram ceifadas, assim que um novo governo assumia, num desperdício contante de energia, história, conhecimento. Sinto que o que urge discutirmos é a perpetuação das boas iniciativas, a continuidade do que está dando certo, a manutenção e evolução de projetos substanciais em todas as áreas.

Na minha opinião, o esporte tem que ser pensado globalmente: como usar o CDC ou o Centro Olímpico. Parecem coisas opostas, mas são complementares. o trabalho comunitário numa praça. Há uma pequena praça nas imediações da Dr. Arnaldo, que dá uma verdadeira lição de cidadania, ao reunir num único espaço, atividades de skatistas e do público da terceira idade. Esse compartilhamento gera um impacto fabuloso, pois reúne grupos heterogêneos focados no mesmo interesse: a conquista de uma vida longa, saudável e feliz. Não conheço os responsáveis pelo projeto, mas ele pode ser replicado em outros espaços, levando muitos benefícios à toda população.

Aproveito para falar um pouco sobre minha experiência na França. Eu nem era da cidade e jogava futebol profissional, mas, do lado da minha casa, havia um clube de tênis com algumas outras atividades, um clube amador, com todos os objetivos que foram citados. Eu me inscrevi para brincar, minhas filhas jogavam tênis ali. Em todos o clubes, existe um centro de excelência, que é onde ocorre o torneio mais famoso da França, o Roland Garros, com o qual todas as associações ou clubes de tênis têm ligação direta. Eu, que brincava quando sobrava tempo, me inscrevi num pequeno torneio, por brincadeira. Acabei ganhando dois jogos e, qual não foi minha surpresa quando, no mês seguinte, meu nome saiu num livro com a classificação de todas as pessoas inscritas na modalidade de tênis do país. Lá estava escrito que eu havia vencido dois jogos e por isso, passei para uma outra categoria. Para vocês terem uma idéia, esta publicação é distribuída para todas as associações e clubes de tênis da França. Mesmo não tendo essa vontade de me aperfeiçoar no tênis meu nome estava lá. Quando um garoto de oito ou nove anos começa a ganhar, é só ver os dados, ver se ele quer se aperfeiçoar mesmo e trazê-lo para um centro de excelência.

Em outras palavras, quero dizer que o Centro Olímpico não pode ficar dissociado dos CDMs, não pode ficar dissociado das escolas. Hoje em dia, existem testes. Estou me referindo ao Centro Olímpico, que tem um objetivo de excelência, mas poderia estar falando de qualquer Clube-Escola. A política pública francesa de massificação do esporte nos ensina que todos esses aparelhos devem estar interligados, para que se aproveite mais e melhor a qualidade desses talentos.

Estou falando como alguém que tem uma ONG, se relaciona com os clubes, busca excelência no que faz e está predisposto a promover toda série de melhorias para o bom termo das relações entre ONGs e Poder Público instituído.

Acho que este encontro é muito feliz, mas temos de juntar todos esses grandes profissionais, principalmente na cidade de São Paulo, para construir junto com o Poder Público, com a Administração Pública, uma política mais ampla, que englobe todos os espaços e todos os públicos, independente de idade, de esporte ou de atividade física praticada.

Valorizo aqui a virtuosa iniciativa de criação dos Clube-Escola e da promoção continuada de atividades nos CDCs. São ações que mudam os rumos e o olhar sobre o tema. Mas é preciso que todos se sintam parte desse grande processo. A partir de discussões como as de hoje, seria muito importante para a política de resultados do Governo Municipal decidir sobre esporte junto com a comunidade, lado a lado com profissionais experimentados, ombro a ombro com quem quer o melhor em educação, cultura e esportes para nossa gente. Esta Casa pode e deve, como está fazendo hoje, continuar estimulando isso.

Para terminar, vou falar sobre o programa Jogo Aberto, liderado pela Coordenadora Ângela, aqui presente, que terá imenso prazer em falar com os interessados, após os trabalhos.

O Jogo Aberto é um programa de Ação Comunitária de Esportes que busca otimizar os espaços do bairro, procurando mudar uma cultura de atividade esportiva. Além de atividades direcionadas aos públicos infantil e de jovem, o programa estimula a formação de monitores esportivos. Esse é um tema polêmico: existe a questão do Crefi e tudo, mas o que sinto nessa experiência é que um verdadeira elitização do esporte, já que hoje em dia só as pessoas formadas em educação física, em universidade ou faculdade, podem atuar na área.

Acontece que o esporte é uma das poucas atividades em que não se tem um curso técnico intermediário, a disposição dos interessados. Cito um exemplo, para ficar bem claro, do agente de saúde. Ele não é enfermeiro, não é médico, não tem o grau de Ensino Superior, mas é de importância vital para a Saúde na Cidade. Por que também não construímos, com esses personagens, conteúdos de formação?

Hoje em dia, o jovem que é apaixonado pelo esporte, que quer trabalhar com o esporte, ou é um grande talento, ou vai viver disso ou entra na Universidade. E que parte dos nossos jovens consegue isso? Então, o jovem acaba sendo cerceado. Quem consegue vai para as academias, para os clubes privados, para as regiões mais favorecidas. E acaba fazendo falta para o público dos bairros. Enquanto isso, os talentos que jamais chegarão ao curso superior, acabam cerceados do direito de serem monitores esportivos.

Temos muitas praças abandonadas e inúmeros lugares que poderiam receber projetos esportivos valiosos. Se esperarmos que um profissional formado vá otimizar esses espaços teremos uma imensa decepção. Isso não vai acontecer. E, caso aconteça, o custo será elevadíssimo.

É uma ideia que lancei e acho que é a questão ultrapassa os limites do Município. Trata-se de uma situação trabalhista também. Já ouvi falar que existem dispositivos municipais capazes de viabilizar isso. Além de tudo, sabemos que esses monitores, esses jovens, teriam uma grande oportunidade de geração de renda, trazendo imenso benefício para o bairro, para as comunidades.

Não é algo que estamos inventando: isso existe na França. Aliás, todos os países do primeiro mundo, com o esporte desenvolvido, possuem esses diferentes graus de formação, que são complementares, técnicos mesmo.

O programa Jogo Aberto tenta fazer essa formação na periferia da cidade, sempre supervisionada por profissionais formados, é claro. Para citar, temos um exemplo interessante: o posto de saúde que fica ao lado da quadra principal onde funciona o programa, pediu que os jovens fizessem um circuito com os idosos, para que estes caminhassem e se exercitassem. Claro que isso não ia ser sempre supervisionado por um profissional de excelência. Mas organizar uma caminhada, não é assim tão complicado. E, em contrapartida, traria importantes benefícios à saúde dos idosos do bairro.

É só um exemplo espontâneo de ter uma atividade, pessoas que estão querendo fazer esse tipo de trabalho e já existe uma demanda. Isso poderia ocorrer na Cidade inteira, como acontece em qualquer cidade civilizada do mundo.

Essa é a mensagem, o recado que quero deixar.

ORGANIZAÇÃO, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS E AS POSSIBILIDADES DE INTERAÇÃO COM A EDUCAÇÃO

Palestrante: Maria Paula Gonçalves da Silva (Magic Paula) – Diretora do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa

MARIA PAULA GONÇALVES DA SILVA – MAGIC PAULA

Quero cumprimentar a Casa pela iniciativa de promover este seminário.

As pessoas da Educação aqui presentes, por favor, levantem a mão. Acho que vieram em grande número: há pessoas ligadas aos CÉUS, algumas profissionais de Educação Física.

Fiquei um pouco incomodada com o fato desse ser um seminário sobre Esporte Como Reforço Educacional e não encontrar nenhum palestrante da área de Educação inserido no programa. Isso causa a impressão de que, na junção do Esporte com a Educação esta última acaba sendo a vilã da história.

Está na hora de nos juntarmos por um País melhor. Acho que com essa junção da Educação com o Esporte poderá haver uma juventude muito mais preparada. A ideia é mostrar a vocês como tudo funciona, falar de um programa que está nas metas do governo, que é a implantação na rede olímpica, porque sentimos uma carência muito grande de outras unidades, de outros espaços da Prefeitura para dar oportunidade aos talentos. Acredito muito na junção do lúdico com o autorrendimento. É na brincadeira que surge o talento.

No final do ano passado, houve uma reestruturação da Secretaria como um todo. Foram criadas algumas coordenadorias e, hoje, sou Coordenadora de Gestão de Esporte e Rendimento na Cidade, mais Esporte e Rendimento de B ase. Além da minha há duas outras Coordenadorias: de Equipamento, de Políticas Públicas.

Estou no Centro Olímpico desde 2001. Já passei por três gestões: Marta, Serra e Kassab. Minha preocupação é utilizar a política para fazer esporte. Em 2001, tentamos resgatar a missão que o Centro Olímpico tinha há 30 anos. Vivemos num País onde o esporte é estritamente político, mantendo-se a serviço de quem tem condições de pagar um clube.

E quem não consegue iniciar um trabalho, não tem oportunidade de convivência com o esporte, de aparecer como talento e ser recrutado? Por isso, o Centro Olímpico tem a missão de resgatar crianças de partes longínquas da Cidade, para participar de competições oficiais, dando-lhes a oportunidade de aparecer para o mercado de esporte.

De 2001 a 2005, sobrevivemos com recursos de locações, que eram feitas no espaço fora dos horários de treinamento, o que Gestão Serra foi eliminado. Acredito que foi uma boa sacada, porque houve necessidade de um pouco mais de comprometimento com o esporte, de haver um orçamento para o esporte. E às vezes aqueles recursos das locações não eram aplicados para o próprio equipamento.

A partir de 2005, foi iniciada uma reforma no espaço onde um trabalho já vinha sendo executado. Levamos de três a quatro anos para colocar a criançada lá dentro e resgatar a missão do Centro Olímpico.

Sentimos uma dificuldade enorme em seduzir o jovem a praticar esporte, pois o jovem, hoje, tem amplas oportunidades na vida e não quer mais ficar três, quatro horas por dia se dedicando e sofrendo em nome do esporte e de um futuro incerto.

Foi quando acordamos para a necessidade de ter essas ações acontecendo próximas aos locais em que essa juventude mora. A Cidade cresceu demais e é difícil deslocar a criança de um bairro longínquo até o Centro Olímpico, embora ainda haja muita gente que pega três, quatro conduções para chegar até lá e fazer o seu trabalho, com o sonho de um dia ser um grande atleta.

Convivemos ainda com a frustração constante de ver profissionais saírem da faculdade de educação física direto para a área de lazer, cruzeiros marítimos, hotéis, academias, mas nunca para atuar nos programas esportivos da Prefeitura, nas periferias desta imensa cidade.

Da mesma forma, ficamos um pouco tristes quando vem algum clube e leva nossos atletas embora. Mas a nossa missão é formar e encaminhar esses atletas de grande potencial para o esporte de competição. O Raí falou muito bem aqui que tem de ser um segmento: temos de ter o lazer, a recreação, mas não podemos matar o talento. Este não pode surgir e não ter para onde ser encaminhado.

Estamos em um local privilegiado da cidade de São Paulo, num bairro nobre, Indianópolis com Ibirapuera. São 50 mil metros de área, a cinco minutos do Aeroporto de Congonhas. Esperamos que esse espaço nunca seja descoberto e, de repente, acabem com esse projeto maravilhoso que existe há 30 anos. O Edélcio já falou a respeito dos grandes atletas. Passaram por lá, na época, mais de 20 medalhistas pan-americanos e olímpicos. Dentre eles, o Montanaro, a Hortência, o Ricardo Prado, a Marta.

Então, o projeto Adote um Atleta foi fundamental e o esporte foi tomando um direcionamento mais profissional. Os grandes técnicos acabaram saindo de lá e os grandes atletas foram contratados por clubes. E o Centro Olímpico perdeu aquela missão que era de trabalhar os talentos, a formação de jovens atletas.

Em 2001, tentamos um posicionamento de gestão, no sentido de focar o alto rendimento. Passamos por um momento complicado de reformas estruturais e da reforma do complexo como um todo.

Tivemos que reestruturar as áreas de recursos humanos, investir na capacitação de profissionais com o perfil da competição e um fortalecer a Associação Desportiva Centro Olímpico.

Há dez modalidades lá. Gostaríamos de ter muito mais, mas esbarramos na questão de recursos humanos e até do espaço físico. Estamos falando de um espaço físico ideal para treinamento, não para competições. Além disso, temos dificuldades de termos dois naipes: a maioria das modalidades só tem o masculino ou o feminino.

A Sra. Maria Paula Gonçalves da Silva passa a referir-se às imagens.

Todos os nossos 850 atletas, de 10 modalidades, têm convênio com a Unifesp, que abrange fisiologia e fisioterapia. Recente parceria com a SPDM viabilizará, a reinauguração, em setembro, de um departamento de medicina esportiva de alto nível, formado por profissionais da USP.

No Orçamento do ano passado, previmos ajuda para transporte extensiva a todos todos os atletas, meta frustrada pelo corte orçamento da Prefeitura. Então, acabamos fornecendo o transporte apenas para o pessoal da área de competição. E é muito difícil, porque sabemos que abala qualquer renda familiar mandar o filho para um local de treinamento duas vezes por semana.

Ao ser admitido no Centro Olímpico, todo atleta passa por uma triagem. A Assistência Social faz o histórico familiar e escolar. As famílias de baixa renda são encaminhadas ao posto de saúde mais próximo de sua casa e a um programa de cesta básica.

Trabalhamos com meninas e meninos de 7 a 17 anos. Elegemos essa faixa etária, pois é muito difícil alguém surgir como atleta com idade superior a essa. Quando o atleta estoura, já está com 15, 16 anos.

Alguns espaços físicos foram ampliados na última reforma, como a sala de musculação e o departamento de fisiologia. Nossa piscina olímpica é coberta e aquecida. Os técnicos dizem que é a única pública no Brasil desse nível.

As quadras já reformadas são de um nível excelente, todas com piso flexível, o mesmo usado pela NBA. Até 2005, tinham chão duro coberto com Paviflex. Hoje, os atletas têm menos risco de lesão. Optamos por dar melhor qualidade e cor. Era um espaço cinza, triste, e fizemos tudo mais alegre, colorido.

A sala de ginástica é a sala de ginástica tem equipamentos importados. Temos lá uma equipe de ginástica feminina e começamos um trabalho com os meninos na parte da manhã. Já estamos com dez meninos, mas ainda há um preconceito muito grande contra meninos praticarem a ginástica artista. Nisso, o Diego deu uma força para motivá-los.

Temos um dojô olímpico, também reformado. Nosso novo auditório com auditório tem capacidade para 100 pessoas. Nele, participam de encontros, seminários e atletas assistem vídeos de jogos, para melhorar sua performance.

Nosso departamento de fisiologia do exercício realiza frequentes pesquisas com os nossos atletas. Além disso, também recebemos seleções para fazer os testes físicos nesse espaço.

O RH é o grande “gargalo”. Como o Walter já disse, em dois anos a maioria do quadro funcional da Secretaria de Esportes estará se aposentando. Por isso, há uma luta grande para encontrar pessoas capacitadas à área de competição. Sabemos que muitos nos CEUs são técnicos especializados, mas também estamos cientes de que a Educação precisa deles. Então, ficamos naquela briga para resgatar esse pessoal, mas o o Secretário de Educação não permite.

A Associação Desportiva Centro Olímpico, antigo PADOTE, é uma entidade público-privada, que existe lá desde o início das atividades. Foi criada porque, como Prefeitura, os atletas não poderiam participar de campeonatos oficiais. Precisaria ter uma associação que fosse filiada às federações, e essa associação é a AD Centro Olímpico. Para se ter uma idéia, há meses em que participamos de até 70 competioções simultâneas. Enquanto o basquete está jogando em Americana, o vôlei está aqui em São Caetano, a luta olímpica está em Santos. Por isso, precisávamos mesmo ter alguém cuidando disso.

Existe uma parceria da Secretaria com essa Associação, um aporte de 30 mil reais mensais, que são destinados aos gastos das equipes: viagem, transporte, lanche, arbitragem, taxa de federações. E é uma entidade que pode captar recursos. Pode ter patrocinadores e parcerias através de convênio.

Porém, o único patrocínio que temos é para um projeto dirigido ao futebol feminino, totalmente custeado e bancado pela Prefeitura de São Paulo. Na foto, uma visita que a Marta fez ano passado à equipe.

Como já disse, em 2005, o Prefeito Serra investiu 5 milhões de reais na recuperação desse espaço e nós colocamos um projeto dentro do Ministério e conseguimos 1 milhão, embora o nosso pedido fosse de quase 4 milhões de reais.

Foram reformadas piscinas, quadras, dojô, ginásio de ginástica e áreas de apoio. Além disso, foi criado um espaço destinado exclusivamente à luta olímpica, que até então usava o dojô do judô.

O trabalho já está sendo feito desde 2001 e começamos a ver os frutos a partir de 2005, 2006. Hoje, temos 24 atletas em seleções, tanto brasileiras quanto paulistas. Isso sem oferecermos salário. E são seis técnicos já convocados para seleções paulistas e brasileiras.

Vocês estão vendo o quimono da Maria Portela, uma menina que estava sendo preparada para as Olimpíadas de Londres, mas nos surpreendeu porque no ano passado já foi reserva da sua categoria nas Olimpíadas na China. Ela não viajou com a delegação, mas estava de prontidão aqui se algo acontecesse. Este ano, já participou de algumas competições. Atualmente, está em Berlin, numa competição de judô, onde defende a seleção brasileira adulta. Ela tem 18 anos, já passou da idade, mas não quer sair do Centro Olímpico. Hoje, Maria Portela tem um aporte da Bolsa Atleta do Governo Federal e prefere continuar no Centro, por causa da estrutura de trabalho.

Algumas despesas da Prefeitura com o Centro: auxílio transporte; convênio com a Associação Desportiva; despesas de água, luz e gás. O RH também tem um custo alto para o equipamento. Além disso, não incluímos telefonia e serviços terceirizados com limpeza e segurança. (E olha que isso aumenta bastante). O lanche também não foi computado.

Há 15 dias, começamos a reforma da pista de atletismo. Por incrível que pareça, São Paulo é a mais influente cidade do Brasil, tem 11 milhões de habitantes com potencial enorme e não possui uma pista de nível internacional.

Para 2010, buscamos a continuidade das reformas, construção de um novo campo de futebol, reinauguração do Centro de Excelência de Medicina Esportiva Caio Pompeu de Toledo. Vamos reformar a arquibancada e a casa de máquinas da piscina, além da portaria da Av. Ibirapuera O ginásio de box, também será reformado. Será implantado um sistema de ozônio, para evitar o uso de cloro na piscina.

Temos ainda de intenção de ter uma arena de jogos, porque o espaço é totalmente feito para treinamento e, quando há jogos, somos obrigados a colocar cadeiras nos pisos.

Há alguns anos, tivemos a ideia de ampliar o número de atendimentos. A parte da manhã é bastante ociosa no Centro Olímpico. Criamos então o programa Escola Olímpica. Temos grande dificuldade em trazer a criançada, por conta da falta de transporte, Eles vêm e começam a treinar, quando estão empolgados O pai e a mãe avaliam o custo que gera e tiram a criançada do trabalho.

Gostaríamos de ampliar o benefício do Vale Transporte aos atletas, criar um indicador de desempenho. Já trabalhamos em cima disso para avaliarmos o que está sendo executado. A manutenção do convênio com a associação é imprescindível, sem ela não existimos e sem nós ela também não existirá.

O projeto Rede Olímpica pintou no curso da CIA que fizemos no ano passado, quando sentíamos a necessidade da interface de outros equipamentos da Secretaria com o Centro Olímpico. Foi um TCC desenvolvido pela equipe que estava comigo no curso, num projeto que já vínhamos construindo dentro do Centro Olímpico. Nesse momento, sentimos que deveríamos dar-lhe um pouco mais de força.

Temos 559 Unidades Esportivas, dentre os CDs e CDMs, Centros das Comunidades e os Clubes Desportivos Municipais. Acredito que temos um potencial enorme, na Cidade. Penso que o nosso grande desafio na implantação da Rede Olímpica seja formar a consciência esportiva do autorrendimento na base, para o pessoal envolvido no projeto.

Há necessidade da interface desses programas com a Secretaria, porque sinto, desde quando iniciei minha gestão, que cada um desenvolve isoladamente seus programas e, às vezes, não se falam. Portanto, estamos dentro de uma Secretaria onde há o programa Clube Escola que é o carro-chefe, mas que não conversa, não fala com o Rendimento. Então, fica lá o Clube Escola fazendo o trabalho dele e o Rendimento o seu, sem sintonia nem sincronia. Agora é a hora de fazer a interface, não só com a SEME, mas também com outras Secretarias.

Começamos o “Escola Olímpica”, em parceria com a Educação, por intermédio da Maria Alice - que se encontra presente. Entre 30 de setembro e 1º de outubro, estaremos realizando um seminário, no qual nossos profissionais estarão capacitando os profissionais da Educação e alguns da SEME. Na parte da manhã, do primeiro dia, haverá esportes coletivos, com diversas modalidades coletivas. Os profissionais serão capacitados, mostraremos como é o nosso trabalho no aspecto técnico; na parte da tarde passarão pela atividade prática; no segundo dia, será a vez das modalidades individuais.

Tivemos um problema sério, um grande desafio neste ano, que foi o corte do orçamento de 60% ou mais dos recursos destinados à Secretaria de Esportes. Tivemos de usar a criatividade em algumas metodologias para começar o trabalho já. Como esse projeto da implantação da Rede Olímpica está nos planos do Governo, é meta de Governo, acreditamos que haverá todo o empenho do Sr. Prefeito para sua execução.

Nossa proposta é proporcionar essa ferramenta para realizar a integração, por intermédio dos profissionais disponíveis, tentaremos facilitar a interface entre os programas já existentes. O grande carro-chefe para esse projeto será o Programa Clube Escola.

Quero falar de uma pesquisa realizada pelo Coordenador Ismar, que, anteriormente, trabalhava com natação e, a partir do ano passado, veio para a coordenação de todas as modalidades. A pesquisa perguntava a jovens entre 13 e 14 anos: “onde você aprendeu a nadar?” O resultado no interior do Estado tem uma diferença grande entre aprender nadar numa piscina particular e na pública. Na Capital o número é gritante, a diferença é brutal, num resultado geral, tanto no que diz respeito ao interior e à Capital, vemos uma defasagem. Isso ocorre porque gostamos de frequentar locais onde as coisas acontecem, onde há piscinas adequadas, onde há tratamento adequado. Assim sendo, penso que temos de começar a melhorar. O visual é muito importante, a manutenção também. precisamos ter um cuidado maior com nossos equipamentos.

Sentimos a oportunidade de iniciar o projeto da implantação da Rede Olímpica no ano passado, por ocasião da conclusão da Olimpíada. Estávamos no ano Olímpico, no início de um novo ciclo Olímpico e queríamos lutar para que a nossa cidade fosse o carro-chefe do esporte de várzea no Estado. É inconcebível, uma cidade como São Paulo, ficar atrás de muitas cidades com um número muito menor de habitantes.

Num primeiro momento, a idéia é nos comprometer com as pessoas envolvidas no Clube Escola. Se houver comprometimento da coordenadoria, dos gestores e dos professores já ligados ao Clube Escola, penso que ao chegamos num local, numa comunidade, precisaremos sentar, conversar, saber o que fazer e dizer o que se pretende. Nós já começamos as reuniões para integrar esse pessoal no projeto da Rede Olímpica.

Queremos padronizar o nosso trabalho em função do que fazemos no Centro Olímpico. Não podemos fazer algo dissociado disso, nem adotar filosofias diferentes nos vários locais. Para tanto, faremos cursos de capacitação com nossos técnicos, participaremos de fóruns ministrados por professores da Rede Municipal, publicaremos o Manual Semente Olímpica, que já está sendo desenvolvido. Cada profissional que atue na ponta com o projeto da Rede Olímpica terá nesse Manual as orientações de como trabalhar com cada modalidade esportiva.

A partir daí, criaremos os Núcleos da Rede Olímpica, com a escolha de quatro regiões da Cidade, para pulverizarmos o trabalho. Na região Norte, por exemplo, trabalharemos na Vila Maria, na Sul em Santo Amaro, na Leste em Vila Manchester e na Oeste em Pirituba.

Introduziremos essas modalidades pelo perfil e característica que a região possui. Há regiões que preferem o judô, outras têm o basquete como ponto forte. Sabemos que a Vila Maria tinha um trabalho interessantíssimo com o basquete, mas acabamos perdendo o Ailton, uma das pessoas mais fortes na área de formação de atletas de basquete. Segundo o perfil da região, pretendemos começar com quatro modalidades em cada um dos núcleos citados.

O diagnóstico revelou necessidades urgentes: modernizar a infraestrutura e o RH são pontos cruciais para implantarmos a Rede Olímpica. Temos conversado com o Núcleo de Gestão de Pessoas, para ver de que forma as os funcionários de cada núcleo podem se manter padronizados à filosofia do Centro Olímpico.

Queremos adequar os equipamentos para a área de iniciação. cuidaremos de tudo, do material pedagógico ao material esportivo, passando pela adequação das turmas e horários. A ideia é trabalhar nos horários em que o espaço estiver ocioso. Começaremos de uma maneira mais light, de acordo com a procura das crianças interessadas nessa iniciação.

No que se refere à contratação de profissionais, pretendemos ter um técnico do CREF-CONCREF formado e dois estagiários para cada modalidade, em cada local. Assim, caso o local reúna 4 modalidades, lá trabalharão 4 técnicos e 8 estagiários. A contratação pode se dar via parcerias com federações e entidades; criação de cargos comissionados o contratação de ONGs com expertise em iniciação esportiva.

O contingente inicial de profissionais exigido pelo programa é de 29 professores e 56 estagiários. Com isso, pretendemos atender nos Núcleos cerca de 2.100 crianças, nesse primeiro momento, em todas as atividades que planejamos desenvolver, bem como padronizar a nossa filosofia.

Como nós enxergamos o caminho para chegar até o Centro Olímpico? A ideia é criar alguns festivais. Para não gerar sentido de competição na criançada, iniciaríamos com o festival da Semente Olímpica, depois o festival da Rede Olímpica e assim por diante. Nesses festivais, as crianças selecionadas por nossos técnicos são encaminhadas aos Núcleos da Rede Olímpica para iniciarem seu treinamento e preparação.

Quanto aos investimentos do projeto, lembro que esses valores foram estimados em agosto do ano passado e giravam em torno de três milhões de reais. Aos interessados em apoiar e patrocinar a iniciativa, nos colocamos à intera disposição no Centro Olímpico de São Paulo.

Muito Obrigada

SR. PRESIDENTE ELISEU GABRIEL

Gostaria de falar a respeito de algumas questões importantes. A Paula falou sobre a da Secretaria Educação. A nossa comissão chama-se “Comissão de Educação, Cultura e Esportes” mas nós a chamamos só de “Comissão de Educação”. Tratamos muito pouco do esporte.

Eu, por exemplo, ouvi muita coisa importante hoje. Aprendi muito e vi como o Esporte na nossa cidade ainda não é tratado como uma verdadeira política pública, nem tem um orçamento garantido, como é o caso da Secretaria de Educação. Muita gente pensa em fazer parceria com a Secretaria da Educação porque imaginam que lá tem dinheiro, tem recursos, mas acho que temos de pensar que o Esporte também precisa ter recursos mais garantidos.

Outra colocação recai sobre a necessidade um Plano Municipal de Esportes. É uma questão fundamental. Hoje, a Cidade de São Paulo está elaborando seu Plano Municipal de Educação, a partir de uma Lei Federal que inclusive obriga a isso todos os municípios do país. O Esporte tem que ter lugar nesse Plano e ao mesmo tempo tem que ter seu próprio lugar na Cidade de São Paulo, com uma verba definitiva e com uma política publica específica.

Foi importantíssimo ouvir vocês falarem: Raí, Ana Moser, Paula e as pessoas que estiveram aqui na parte da manhã. Secretários e deputados deram uma noção muito clara de quais as demandas do Esporte na Capital e quais os problemas que estão vivendo. Foi muito rica essa discussão.

RESPOSTAS DO SR. RAÍ SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA

1. Com respeito à pergunta sobre um projeto de pedagogia ligado à pessoa com deficiência, respondo que não há nenhum específico. Há pessoas com deficiência que estão ou passaram pela Gol de Letra. Desde o início, tentamos adaptar o espaço a isso, mas a demanda ainda é pequena, apesar do interesse das pessoas com necessidades especiais ter crescido muito.

2. Tem uma pergunta aqui que é mais um puxão de orelha em todos nós. Precisamos mesmo reivindicar um orçamento mais digno para o esporte, que mereça, em cima de um plano de ação, um plano de governo. Realmente é uma necessidade. Afinal, ao levantarmos os benefícios que isso representa em termos de saúde pública, vemos que o Esporte bem merece.

A pergunta também levanta a questão da formação dos agentes esportivos a qual me referi. A cidade de São Paulo forma mais profissionais de Educação Física do quê nossos postos de trabalho podem absorver. Como eu disse, os grandes países tem essa questão dos mediadores, monitores esportivos. E acho que são complementares. Quanto mais incentivos ao esporte, mais democratização em diferentes áreas, maior a necessidades de profissionais envolvidos.

RESPOSTAS DA SRA. MARIA PAULA GONÇALVES, A MAGIC PAULA

1. Eduardo pergunta o que o Centro Olímpico está fazendo para trazer o jovem talento que mora no extremo de São Paulo? Ainda fazemos esse trabalho de peneiras. Precisa ligar lá para ser orientado sobre qual a modalidade desejada. Para mais informações, é só ligar 011 3396-6452. O candidato que apresentar os requisitos básicos para a modalidade, passa por um teste. Uma vez aprovado, inicia o trabalho vamos mantê-lo com muito interesse. Acho interessante também a sugestão de que os técnicos possam acompanhar os jogos escolares regionais e estaduais. Vou passar para o pessoal da área técnica.

2. Mariana está perguntando se existe um projeto da formação de atletas paraolímpicos. Na época em que a Nádia Campeão ainda era Secretária de Esportes, conversávamos bastante sobre isso, porque a demanda e as solicitações de pedido para utilizar o Centro Olímpico, era muito grande. Ainda destinamos o espaço nos horários em que não temos o atendimento, para algumas entidades. Mas chegamos à conclusão de que esse não é o nosso perfil. Teríamos de ser capacitados para tal.

Como já disse várias vezes, nosso grande gargalo é a parte de RH. Acreditamos que seria uma loucura a gente introduzir o programa lá. Mas existe um projeto para a reforma do Estádio Mané Garrincha, espaço em frente ao Hospital do Servidor, para criação ali de um centro paraolímpico, perfeitamente adaptado e aparelhado a este segmento. Trata-se de um projeto de parceria da Secretaria com a Ceterje.

3. O Robson, pergunta por que não usamos o esporte como meio de incentivo a educação, e reinserção à família, dirigido às crianças e adolescentes de rua. Acredito que não temos know-how para fazer isso. Acho que seria um programa mais ligado à Assistência Social. É uma idéia virtuosa, mas outra vez este não é nosso perfil.

4. Por que não se criam espaços de esportes para crianças e adolescentes de rua na Nova Luz? Isso já está sendo trabalhado dentro da Secretaria. Acreditamos que esse espaço pode ser utilizado com atividades, talvez com esportes radicais, alternativos, para tirar aquele pessoal da ociosidade. Como não sou eu quem cuida desse segmento dentro da Secretaria, talvez seria interessante um e-mail para o Tiago Lobo, pessoa que está mais ligada aos esportes radicais.

5. Pergunta do Elton: Pela estrutura existente no CÉUS – ginásio, piscina, quadras poliesportivas etc, há possibilidade de se criar centros de treinamentos esportivos lá dentro, ofertando inclusive alimentação, transporte e uniformes? Esse é um sonho que pode ser muito bem realizado. E sabemos – não é nenhuma critica –, que esporte no CEU sempre fica relegado a penúltimo e último plano.

Até tem uma brincadeira sobre isso: se 30 crianças estiverem em quadra jogando voleibol e duas estiverem do lado de fora, com uma flautinha, os 30 sairão de quadra, para dar lugar aos flautistas. Isso é algo que precisamos repensar. O CEU tem um potencial enorme e pessoas muito capacitadas. Acho que o ideal da rede Olímpica seria utilizar as próprias estruturas do CEU.

6. Nicelli diz: do orçamento da Prefeitura do Município de São Paulo, 31% vai para educação. Como esporte é educação, poderia se destinar pelo menos 5% para o esporte, o resto faríamos pela nossa experiência na formação de atletas e cidadãos. Acho que temos de tomar um certo cuidado quando falamos isso, porque 5% é um montante grande. Ás vezes o grande problema não está no recurso, de construirmos locais ou reformar. O nosso grande problema é o RH. Temor cinco milhões para fazer um monte de coisa Mas, afinal, quem vai estar trabalhando nesses espaços. Precisamos nos livrar dos riscos do pós-panamericano, onde há espaços maravilhosos, mas ociosos, que absolutamente ninguém usa. Acho que 1% já dá para começar a pensar em algo melhor para o esporte.

7. Essa foi feita para você, Marcos. O Washington pergunta por que não construir centros olímpicos nos bairros, usando a própria estrutura física dos CDCs, proporcionando a contratação de profissionais da área? Então, não vamos mexer em nada. Os locais esportivos da Secretaria é que serão reformados. Não vamos construir em lugar nenhum, pelo que entendi.

O SR. EDÉLCIO PASCHOALIN

Há uma ideia de se fazer um novo centro olímpico, algo parecido, na zona Leste. Mas acho que essa ideia ainda é muito controvertida.

A SRA. MARIA PAULA GONÇALVES DA SILVA

A avaliação que fizemos sobre esses espaços, até em cima de um diagnóstico da Folha de S.Paulo, foi que a grande solicitação da comunidade era um espaço de lazer. Então, por que elitizar o espaço, criar uma vila olímpica lá? Sugerimos que se criasse um Clube-Escola Olímpico, 100% voltado para o lazer e recreação. a lá.

NOTA DA SRA. MARIA PAULA GONÇALVES DA SILVA

Ao falar da Rede Olímpica, esqueci de dizer que não estamos inventando nada. Na verdade, estamos copiando um projeto que já existia na Cidade, o PAD – Plano de Ação Desportiva, que contemplava esse trabalho nos centros esportivos de os talentos eram encaminhados. Cria-se aquela cultura do técnico que forma a criança: “Imagina, eu que fiz, vou mandar para lá?” Esse é um conceito totalmente errado.

O Vereador falou também dos recursos que são destinados ao centro olímpico. É que sou chata, batalho, porque não adianta ficar de braços cruzados esperando que alguém resolva um problema. Se estou na área, vou buscar os recursos para poder, pelo menos, ter a coisa funcionando. Sem recurso, não conseguimos fazer nada.

RESPOSTAS DO SR. EDÉLCIO PASCHOALIN

Seria redundante falar da importância do esporte para a educação. É impossível, até, porque a estrutura dos CEUs, hoje, dá condições de revelar muitos atletas, se tivéssemos a preocupação de transformar tudo isso.

1. A Mariana fala a respeito da inclusão das pessoas com deficiência. Todos os projetos e programas são pensados em longo prazo, mas disse lá atrás que, lamentavelmente, eles não têm continuidade. Um programa de dois anos e meio não teve tempo de se solidificar e ser ampliado para toda a rede.

O PAD foi, inicialmente, para as unidades da Administração Direta. Era mais fácil, tínhamos vários recursos, professores, ginásios, campos. Então, implantamos onde já existiam esses recursos e depois faríamos uma ampliação para toda rede – inclusive, na época para os CDMs que estivessem mais bem aparelhados. Não deu tempo. Tudo foi cortado, antes de se sonsolidar.

Temos uma estruturação a cumprim. É necessário remodelar para atender também as pessoas com deficiência. É fundamental que se atenda as pessoas com mobilidade reduzida. Existem as provas dos paraolímpicos e a representatividade que deram para o Brasil. Não podem ser esquecidos de forma nenhuma. Hoje, só hoje, estão começando a adequar calçadas e tudo o mais. Há 20 anos nem se pensava nisso. Tenho certeza, pois vivenciei essa época.

2. O Sr. Carlos Cléber menciona que o principal o problema dos clubes esportivos municipais é a falta de recursos. Diz que em qualquer evento realizado, não se pode arrecadar nem cobrar nada, mesmo que o dinheiro seja usado para materiais e outros fins.

O CDC pode, por lei, locar seus espaços, desde que os recursos sejam destinados às sua melhoria. Não pode ser locupletado, ninguém pode se locupletar daquele espaço, porém faz frente a uma série de atividades. As unidades têm de pagar água, luz. Muitas vezes, até o pessoal de limpeza, pois o espaço pode se deteriorar. Lamentavelmente, os recursos são tão poucos que muitas vezes é impossível investir na ampliação do espaço, que, dessa forma, acaba sendo sucateado. Por lei, o CDC pode locar seus espaços sim.

Já evento é outra situação. Não pode colocar lá dentro um circo, uma atividade que terceirize o espaço, senão estará provocando uma invasão de área pública e será responsabilizado por isso, respondendo inclusive por processo de reintegração de posse. Então, precisamos tomar muito cuidado quando falamos em CDC, porque há uma série de situações com respaldo de uma lei que restringem a sua utilização. Isso é fundamental que se diga.

3. O Sr. Marcio indaga o motivo para excluir os alunos da educação do circuito Clube-Escola. Os alunos da Educação não são excluídos, pelo contrário, o Clube-Escola existe em função da Educação. Não podemos dissociá-los. É a clientela que deve ser atendida. Todos os alunos que vão para o Clube-Escola são, teoricamente, originários das escolas. Isso não significa que não podemos atender crianças que não estejam estudando, mas é o que falamos da conscientização.

É importante esse trabalho de conscientização da população jovem e das crianças. Por isso, lamento o fato de que houve um movimento para se t irar a educação física das escolas primárias, de 1ª à 4ª série. Não sei se isso ainda vigora. Esse movimento foi um absurdo, foi criada uma polêmica. É a partir desse momento, nessa faixa etária, em que se começa a conscientização da valorização da atividade física para a vida, independente do esporte que vem atrelado. Mas a conscientização, em minha opinião de professor de educação física, é fundamental em todas as fases da escolaridade.

É preciso parabenizar a Educação, porque é fundamental a participação dos professores de educação física. Muito mais importante é a atuação do CREF, como suporte para oferecer uma qualificação melhor a esse profissional. Não se trabalha de qualquer jeito. Isso é importante que se diga. Os alunos da rede pública não são excluídos, pelo contrário, são as clientelas do Clube-Escola.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

VEREADOR CLAUDINHO DE SOUZA

Sobre os CDC, minha vida pública começou no CDC 31 de março onde iniciamos todo o trabalho de base para estarmos aqui na Câmara Municipal de São Paulo. O professor Edélcio trouxe uma série de informações importantes, inclusive a dificuldade que os CDCs de São Paulo – antigos CDMs, viveram ao longo de todos esses anos.

Quando a Mestre Paula falava dos recursos que teve no Centro Olímpico, fico lá vendo nossos campões de terra, sem bola, ou muitas vezes com bola rasgadas; professores voluntários sem remuneração, cuidando de 100 a 120 crianças – número que em alguns espaços chegava a 300 crianças. Mínimo, até então, o olhar do Poder Público para oferecer um pouco de ilusão àquelas crianças.

Quero cumprimentar a todos os assessores dos Srs. Vereadores, assessores da Comissão de Educação que participaram da elaboração dessa proposta. Quero dizer que foi um dia proveitoso. Quero deixar meus agradecimentos, com o pedido de licença para eu me retire.

Muito obrigado.

VEREADOR SR. AURÉLIO MIGUEL

Boa tarde a todos. Cumprimento o Vereador Eliseu Gabriel, juntamente com o Vereador Marco Aurélio Cunha, idealizador deste evento. Cumprimento o Edélcio, que esteve à frente da Secretaria Municipal de Esportes; a Paula e o Raí, meus companheiros de esporte.

Esse tema é importante, não tenho dúvidas de que o esporte seja um recurso educacional, um aliado da sociedade para ajudar na educação da criança, do jovem e do adolescente. Há pouco tempo, os governantes vêm mudando a ideia sobre a importância do esporte na formação do jovem e da criança, mas, infelizmente, está muito devagar.

Acho que falta um tranco nos governantes, de verdade. Observem que tive a felicidade de presidir uma CPI, justamente a dos CDCs. O Edélcio veio várias vezes. Observamos que muitos estavam desviados da função a que vieram os CDCs. No relatório final, indicávamos que era importante a Prefeitura participar mais nesses espaços, que justamente estão na periferia, nas comunidades menos favorecidas, e que fizessem parcerias com as federações, com as universidades.

Aprovamos também nesta Casa, em virtude disso, a possibilidade de parceria com as Organizações Sociais. Posteriormente, foi aprovado o Clube-Escola, importante parceiro. A Secretaria da Educação, sem dúvida alguma, tem recursos para isso. Mas, na verdade, é preciso incrementar os Clubes-Escola que, observamos, começaram muito fortes, mas hoje há retração.

Então, é importante que nós, Vereadores, e a sociedade cobrássemos para que, efetivamente, nesses espaços que temos hoje na cidade de São Paulo, que eram 200 CDCs conforme constava no relatório, fossem colocados professores de educação física; e que eles pudessem ser contratados não como funcionários públicos, pois teríamos muito mais agilidade.

Se contratássemos cinco profissionais de educação física em cada CDC, o custo final, por ano, para a Prefeitura seria insignificante e estaríamos dando oportunidade de esporte para essa comunidade.

Digo isso, porque, a exemplo do Raí que tem a Gol de Letra, tenho o Instituto Aurélio Miguel, onde atendo 2 mil crianças, que têm a oportunidade de acessar o esporte por meio do judô, gratuitamente. Sei das dificuldades para conseguir isso, mas sei da felicidade que a comunidade pobre alcança ao conseguir esse acesso à pratica esportiva.

As crianças, sem dúvida alguma, apresentam mudanças de comportamento logo nos primeiros meses. Portanto, é importante, depois desse debate, desse seminário que o Presidente da Comissão Eliseu Gabriel organizou, cobrarmos das autoridades que dêem mais eficiência às parcerias.

Agora mesmo, foi aprovada pela Secretaria de Esportes uma parceria com a ONG da Ana Moser, na zona Leste, para que atenda aquela comunidade por meio da contratação de diversos profissionais. É importante que fiquemos atentos a isso e que essa experiência dê certo, para que possamos introduzir em toda a cidade de São Paulo o que, sem dúvida alguma, seria um grande benefício para a comunidade paulistana.

VEREADOR MARCO AURÉLIO CUNHA

Uso a palavra, só para colocar a opinião do Celso Goldenberg, Supervisor de Esportes da Lapa, que fala que o Clube-Escola da Lapa possui a primeira piscina com acessibilidade total ao deficiente e às pessoas com pouca mobilidade física e que esse local está em processo para tornar o clube inteiro com total acessibilidade.

Também em relação à pergunta do Francisco sobre todos os campos varzeanos, para que houvesse um playground para tranquilizar os pais e a união da família, diria que já passamos a ideia ao Secretário Walter Feldman, de criarmos quatro grandes núcleos de futebol, nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste, para que pudéssemos fazer um resgate do futebol amador em áreas que fiquem para sempre, sem sofrer ações de outras atividades esportivas e também de especulação. Então, seriam centros de referência – inclusive cultural – do futebol varzeano, resguardando aquela história toda do futebol como formação na Cidade.

A idéia é que esses centros tenham três campos cada, para realizar seus jogos e campeonatos. Em vez de acabarmos com a várzea, teríamos um núcleo específico para o futebol varzeano e as regiões seriam representadas nesses campos sintéticos, com toda a infraestrutura e certamente com essa área de convivência –, que, tão bem lembra o Francisco, necessária para o acompanhamento familiar e a integração social.

Espero que um dia consigamos realizar essa ideia que já está na mão do Secretário.

Só mais uma nota:

Tenho em mãos a colaboração do meu amigo conselheiro vitalício do São Paulo, que está na SEME, Edson Francisco Lapola, pedindo apoio aos Vereadores, à iniciativa privada, às parcerias com Organizações Sociais, para que possam preencher com os professores e, com isso, oferecer apoio a pelo menos 500 mil crianças. Fala que é preciso vontade política para ampliar o projeto Clube-Escola. Acho que precisamos, sim, cada vez mais ampliar esse projeto.

PRESIDENTE DA COMISSÃO VEREADOR ELISEU GABRIEL

Recebemos várias sugestões. Ressalto a seguinte: "Qual a possibilidade de os campos de futebol terem uma área para atividade infantil, com monitores? O objetivo é a união da família e tranquilidade dos pais e responsáveis". Essa é uma questão que vamos encaminhar para a Secretaria de Esportes, questão que pode gerar uma grande discussão

A última que vou ler: "O posicionamento da Paula e da Ana Moser ao dizer que a Secretaria de Educação deve se fazer presente é fundamental para posicionar o professor de educação física dentro da rede municipal. É importante a capacitação do professor de educação física para que mais professores formem cidadãos, dentro da visão da cultura da paz e de inclusão social na prática esportiva escolar". Quem fez este encaminhamento foi o Luiz Carlos Gananza.

Queria agradecer aos presentes e pedir uma salva de palmas a todos que aqui vieram.

Estão encerrados os trabalhos.

Muito obrigado.