10 Dicas para Você Ler Mais Livros por Ano

09/08/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Gosto muito de ler, mas um dia descobri que nunca iria conseguir ler tudo o que me interessa. Instintivamente acabei desenvolvendo algumas técnicas para me ajudar a ler mais livros por ano. São dicas simples que podem lhe ajudar a aumentar o seu número de livros lidos e também despertar o seu interesse pela leitura, caso ele não seja tão desenvolvido.

1. Mantenha um Controle Sobre Seus Livros Lidos
Quem não controla não sabe para onde está indo. Quantos livros você leu no último ano? E no ano anterior? E em 2001? Como você vai querer aumentar a quantidade de livros lidos se nem ao menos sabe quantos livros está lendo por ano?

Pois é, eu fiz esta mesma pergunta a alguns anos atrás e não sabia a resposta. Por isso programei um controle simples no meu próprio site. Assim sei a quantidade de livros que li por ano e também que livro li em qual época. Neste controle também incluo uma pequena resenha do livro e uma nota, de 1 a 5 estrelas, para ter uma idéia de qual foi o melhor livro que li em cada ano. Por estar disponível na Internet, o meu controle também ajuda outras pessoas que querem sugestões de livros para ler.

2. Intercale Leituras
Troque o gênero do livro a cada nova leitura. Se você acabou de ler um livro de ficção procure ler em seguida um de não-ficção. Se leu um livro de auto-ajuda, leia agora um relato de aventura. Leu um livro grosso e levou mais de um mês? Agora leia um livro fininho num final de semana.

O importante aqui é manter o seu interesse sempre em alta. Quando você se dedica somente a um assunto chega uma hora em que o seu nível de interesse cai drasticamente. Intercalando o tipo de leitura, o tamanho do livro e o seu gênero o fôlego continua sempre forte e o interesse não decai.

3. Troque Dicas de Leitura
Nada melhor do que uma boa dica para você descobrir um livro maravilhoso. E que tal 30 ótimas dicas de leitura? Aproveite seus amigos e conhecidos e garimpe dicas sobre livros que podem te interessar. Só cuidado com os gostos pessoais de cada um. É comum alguém amar um livro enquanto que o outro odeia o mesmo título. Veja se o seu gosto bate com o gosto da pessoa que indicou comparando livros que vocês dois já leram. Garimpe também na Internet e em grupos de discussão ou até mesmo nos sites das livrarias. O que importa aqui é ter várias recomendações. Depois é só usar o seu bom senso e ir atrás do livro que mais lhe interessar.

4. Leia de Forma Paralela
Eu leio diversos livros ao mesmo tempo. As razões são várias: desde a troca de um livro que está em uma parte chata por outro mais emocionante até a compra de um novo. A idéia é ler sempre, constantemente, mesmo que você vá deixando livros pela metade. Opa, mas nada de deixá-lo pela metade indefinidamente. Você tem que ter um prazo para acabar de ler o livro iniciado.

No meu caso eu começo a ler vários livros ao mesmo tempo e só começo a me preocupar em terminá-los quando inicia o mês de novembro. Desta maneira sei que tenho ainda dois meses pela frente até o final do ano. Desta maneira não inicio livros novos e termino os antigos. Em resumo, abra muitas frentes, mas não se esqueça de fechá-las antes de apagarem a luz.

5. Leia em Mídias Diferentes
Quem disse que livro é só aquela coisa de papel que pega poeira na sua estante? Hoje em dia existem várias opções de leitura que podem aperfeiçoar o seu tempo, gerando um número maior de livros lidos no ano. Um hábito que criei a alguns anos é escutar livros no carro ou no meu mp3player. Este tipo de livro de audio (audiobook) não é muito difundido no Brasil, mas é largamente utilizado em outros países, como os Estados Unidos e a Europa. Se você lê/ouve inglês tem uma avalanche de títulos disponíveis. A grande vantagem é otimizar o seu tempo, além de melhorar a sua fluência na língua estrangeira. Que coisa melhor você pode fazer quando se desloca para o trabalho ou está preso em um engarrafamento?

Outra opção são os PDA, tipo Palm. Com as novas telas de alto contraste é possível ler livros inteiros nas pequeninas telinhas dos computadores de mão, sem falar na novidade da Sony, o Sony Reader.
E não se esqueça dos gibis. Existem ótimas graphic novels que são verdadeiros livros.,

6. Leia Sempre e de Forma Constante
Aqui vale a máxima da história da lebre e da tartaruga: mais vale ler devagar e sempre do que rápido parando várias vezes pelo caminho. Estipule uma meta e tente cumpri-la. Leia uma página por dia e terá lido um livro de 300 páginas num ano; leia 10 páginas por dia e em um ano terá lido 18 livros de 200 páginas. Lembre-se: devagar e sempre.

7. Leia Livros do Seu Interesse
Parece idiotice falar isso, mas quanto mais você ler livro que te interessam, maior será o seu prazer na leitura e mais livros lerá por causa disso. Sim, é verdade. Tem muita gente que tenta ler livros que não gosta e por isso demora tanto tempo para acabá-los. Siga meu conselho. Se você chegou a um terço do livro e não está gostando do conteúdo, largue-o e comece outro. É melhor ficar vermelho uma vez do que amarelo para sempre.

Gosta de aviação? Então leia livros de aviões ou de guerra. É fanático por sexo? Existem ótimos livros de ação recheados de sexo. Gosta de bandas de rock? Leia as biografias dos monstros sagrados como o Led Zeppelin.

8. Abuse do Livro
Os puritanos que me perdoem, mas livro é para ser usado, dobrado e rabiscado. Eu já tratei os livros como entidades supremas, intocadas, mas aprendi que se ganha muito mais quando ele é usado realmente. Faça anotações, risque e rabisque. Se você não anotar vai esquecer rapidamente aquela passagem super interessante ou a dica especial dada pelo autor. Quer ter um livro intacto? Então compre outro para deixar na estante. Os R$20 ou R$30 a mais que você vai gastar vão valer centenas de vezes a mais com informações que você pode acessar de forma rápida, ao invés de folhear centenas de páginas atrás do que procura.

9. Leia em Vários Lugares
Recomendo que tenha sempre um livro à mão. Nunca se sabe quando você poderá ficar parado no trânsito, numa fila ou em qualquer outro lugar que não te permita fazer outra coisa. E isso inclui o banheiro ou os 5 minutos do intervalo de um programa de TV que você está assistindo. Falando nisso, veja menos televisão. Você vai ver que sua vida vai melhorar muito!

Leia andando na rua e na espera do estacionamento. Leia enquanto dirige o seu carro! Esta dica é efetiva mas meio perigosa, por isso vou fazer um post exclusivo para ela.

Mesmo que possa ler somente um parágrafo nestes intervalos, já vale a pena. A soma destas pequenas leituras em um ano pode ser um livro a mais no seu total. Use um marcador que facilite a sua rápida localização no texto. Eu normalmente coloco o marcador na linha onde parei, o que ajuda a achar rapidamente o ponto de continuação.

10. Vire Rato de Livraria
Eu tenho um imã interno que me puxa com uma força descomunal quando estou passando perto de uma livraria ou banca de revistas. Mesmo com pouco tempo disponível dou uma olhada geral para ver o que está disponível. Na maioria das vezes não compro nada, mas isso me mantém atualizado com o que há de novo no mercado, além de trazer gratas surpresas. Vários livros que considero excelentes encontrei com a peregrinação nas livrarias.

Conclusão
Então, está preparado? Comece hoje mesmo! Pegue aquele livro que está parado na sua estante e leia pelo menos 10 páginas. Deixe outro livro no carro e um pequeno na sua bolsa. Depois volte aqui e compartilhe as suas experiências.

Fonte: Empirical Empire

Foi sancionada lei que obriga escolas públicas e privadas a ter biblioteca

09/08/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

A Lei 1.244/2010 determina toda escola tenha um acervo de livros nas bibliotecas de pelo menos um título por aluno matriculado. Cabe à instituição adaptar o acervo conforme as necessidades, promovendo a divulgação, preservação e o funcionamento das bibliotecas escolares.

As escolas terão até dez anos para instalar os espaços destinados aos livros, material videográfico, documentos para consulta, pesquisa e leitura. Veja a seguir o impacto que essa lei causará nos sistemas de ensino

País precisará construir 25 bibliotecas por dia no ensino fundamental para cumprir nova lei

Municípios e estados terão muito trabalho para cumprir a lei sancionada no mês passado que determina que toda a escola deve ter uma biblioteca. O maior desafio está nos estabelecimentos do ensino fundamental: será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020, prazo limite para adequação à medida.

O diagnóstico é de um estudo realizado pelo movimento Todos pela Educação, com base em dados do Censo da Educação Básica de 2008. “Essa dificuldade é decorrente da falta de visão do Brasil sobre a importância da biblioteca. No mundo todo as bibliotecas são doadas por mantenedores que têm uma alegria imensa de poder doar um acervo”, compara Luis Norberto, do Comitê Gestor do Todos pela Educação.

O déficit de bibliotecas no ensino fundamental é de 93 mil. Desse total, 89,7 mil são escolas públicas e 3,9 mil, estabelecimentos privados de ensino. Na educação infantil, apenas 30% dos colégios têm acervo e será necessário criar 21 bibliotecas por dia para cumprir o que determina a nova lei. A melhor situação é a do ensino médio, etapa em que o número de escolas sem biblioteca é de 3.471.
Norberto defende que, além da ação dos gestores, será necessário o envolvimento de toda a sociedade no desafio. “A lei é uma direção, mas ela não faz nada. Nós, sociedade, é que devemos fazê-la funcionar. A tarefa não é só dos gestores, imagine se cada empresário doasse um acervo para uma escola, em dois anos o problema estava resolvido”, diz.

Na comparação entre as redes de ensino, a situação é pior nos colégios municipais, que contam com menos bibliotecas do que as escolas estaduais. O estudo do Todos pela Educação chama a atenção para outro fator que pode dificultar o cumprimento da lei: faltarão profissionais qualificados para trabalhar nesses espaços.

A legislação estabelece que as bibliotecas devem ser administradas por especialistas da área – os bibliotecários. Mas, segundo levantamento da entidade, hoje há um total de 21,6 mil profissionais habilitados, enquanto o país conta com aproximadamente 200 mil escolas de educação básica.

Para Norberto, com a entrada obrigatória das crianças na educação infantil aos 4 anos, estabelecida por lei no ano passado, e a implantação das bibliotecas, os alunos vão aprender a ler mais cedo. “É uma mudança radical e positiva. Daqui a dez anos, as crianças vão estar alfabetizadas aos 8 anos, é um futuro muito melhor”, afirma.

Fonte: Agência Brasil

Ler para bebês melhora desempenho na escola

26/07/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Ler para um bebê que ainda não fala nem entende o que é falado pode parecer perda de tempo, mas diversos estudos mostram que, a longo prazo, a prática pode beneficiar o desempenho escolar. Além de adquirir gosto pela leitura, as crianças que têm contato com livros desde o berço chegam ao ensino fundamental com vocabulário mais rico e maior capacidade de compreensão e de manter a atenção nos estudos.

Para ajudar na escolha do título mais adequado para cada idade e no desafio de manter as crianças pequenas entretidas, o Instituto Alfa e Beto (IAB) apresenta na próxima Bienal do Livro de São Paulo a Biblioteca do Bebê. Além de vários livros divididos por faixa etária, o local terá voluntários que ensinarão aos pais técnicas de leitura. As principais dicas estão reunidas em uma cartilha que será distribuída aos visitantes.

“Não se trata de ler um conto de fadas para um bebê com menos de 1 ano. Os primeiros livros devem ter apenas imagens e o tempo para folheá-los deve ser breve”, explica David Dickinson, especialista em alfabetização pela Universidade Harvard. Durante a bienal, ele apresentará estudos que relacionam a leitura precoce a um maior desenvolvimento da linguagem. Uma das pesquisas mostra que crianças de 3 anos que têm hábito de leitura em família apresentam, aos 10, desempenho escolar superior ao daquelas que não leem com frequência.

“O importante é ler com regularidade e tornar a experiência agradável”, afirma Dickinson. Os pais, diz ele, devem usar as imagens do livros como base para iniciar uma conversa com a criança. “Faça perguntas sobre a figura ou sobre a história. Não se limite a ler as palavras e virar a página”, explica.

Esculpindo mentes

A interação com os adultos é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e o aprendizado se dá pela imitação, diz o presidente do IAB, João Batista Oliveira. “Mas a linguagem oral tem um vocabulário restrito e uma sintaxe simplificada. O livro, por mais simples que seja, obedece às regras da linguagem escrita, que é a mesma que a criança vai encontrar na escola”. Se o vocabulário é o tijolo do pensamento, afirma Oliveira, a sintaxe é a argamassa. “Quanto maior o vocabulário e mais articulada a sintaxe, mais temos sobre o que pensar”. Essa maior capacidade de raciocínio e compreensão favorece tanto o desempenho em disciplinas como português e matemática como nas demais.

A capacidade de se manter focada em uma atividade também é beneficiada pelo hábito de leitura, afirma Dickinson. “Quando assistimos à TV ou usamos o computador, a tecnologia prende nossa atenção. Já quando lemos um livro, precisamos fazer esse trabalho sozinhos”.

Beatriz Koike, de 3 anos, parece fazer isso muito bem. “As professoras comentam como ela presta atenção e elogiam sua desenvoltura com as palavras”, conta a mãe, Taís Borges.

Beatriz ganhou seu primeiro livro quando ainda estava na barriga de Taís. “Aos 3 meses, comprei um livrinho de plástico para ela brincar na banheira. Aos 2 anos, ela começou a demonstrar interesse por histórias mais complexas”. Hoje, a menina tem seu cantinho da leitura com 43 títulos.

O IAB vai lançar na bienal um guia com proposta ambiciosa: Os 600 Livros que Toda Criança Deve Ler Antes de Entrar para a Escola. Dá uma média de dois livros por semana entre 0 e 6 anos.

Fonte: Jornal da Tarde

Sobre o gosto da leitura na escola

24/06/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

O professor de literatura e crítico literário, C. F. Moisés, com quem estudo há 10 anos, na apresentação de seu livro “Poesia não é difícil” cita questões muito comuns de serem ouvidas na escola: ‘Como posso gostar de poesia se não a entendo?’ ‘E como entender sem gostar?’ (1)

Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, afirma o autor, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.

Mas como? Eis a questão crucial. O objetivo deste texto é enumerar alguns pressupostos e algumas atividades de linguagem como idéias a serem adaptadas por vocês, professores, em seus planos.

Um pressuposto refere-se à significação de um ambiente cultural na formação do leitor. Desde muito pequenos, os alunos podem ‘ler’ textos, entendido o verbo de forma não literal: quando o professor lê para a classe, quando o aluno conta suas vivências na roda, quando o aluno ouve o colega contar ou descrever algo, quando o aluno ouve uma cantiga e sua letra, quando o aluno ‘lê’ ilustrações de um livro, quando ele tem acesso constante aos livros da sala ou da biblioteca, quando sabe que a leitura é uma atividade valorizada pelo professor.

Sabemos das dificuldades de obtenção e veiculação de livros nas escolas. Bibliotecas sem bibliotecários, livros não tombados e, portanto, não passíveis de circulação, mas sabemos também que existem outras formas de contornar essa situação. Saraus, pedidos em editoras, mutirões do livro, de organização das salas de leitura, feiras culturais, intercâmbios entre classes, cartas a autoridades competentes, etc. são alguns dos recursos que a escola deve utilizar para garantir o acesso do aluno ao livro.

Outro pressuposto refere-se ao grau de complexidade dos textos e das atividades com textos. Não devemos poupar os alunos de novos desafios. A função da escola é ensinar novidades, ampliar o repertório do aluno com exposição de maior diversidade de gêneros textuais. A dosagem e as exigências serão planejadas considerando que a formação do leitor é um processo de amadurecimento. Quanto antes começar, mais sentido fará na vida do aluno-leitor.

O livro é um objeto inserido em um contexto. Tem autoria, propósito, um tempo e um espaço delimitado (de criação e de circulação). Saber sobre o autor e sua época, conhecer suas condições de produção ajuda a inferir sobre outros tempos e outros espaços. Um exercício interessante é o de comparar textos literários de uma mesma temática, mesmo local e épocas diferentes, ou textos oriundos de culturas diferentes abordando o mesmo tema. “É a polifonia e a pluralidade contra o monólogo e a palavra autoritária”. (Sonia Kramer) (2) Intertextualidade. Por exemplo, mixar conteúdos da História com textos literários também é um recurso em que ambas as áreas ficam enriquecidas.

Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento, o prazer e a fruição. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na seara da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.

Outro pressuposto é respeitar a escolha do aluno. Imaginem uma pequena cidade em que seus habitantes só conhecem comida brasileira. Vivem tranqüilos sem saber ou sem querer saber o que existe de diferente lá fora. Aí chega um grupo de imigrantes do Oriente trazendo seus costumes, temperos e especiarias. O que pode acontecer?

A – os dois grupos não se comunicarem.

B – os dois grupos trocarem suas especificidades e criarem um terceiro grupo.

C – os dois grupos aceitarem as mútuas contribuições, mas manterem sua identidade.

Esse é um exemplo do que pode acontecer com quem tem contato com o conhecimento. Transformação. Mas não acontece de imediato, nem uniformemente. É um processo e, como tal, é variável. Especificamente na arte, e dentro dela na literatura, esse processo tem finalidade de aumentar a autoconsciência humana. “A literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e na linguagem”. Nelly N. Coelho (3)

As possibilidades combinatórias são muitas e cada um responde de acordo com sua história, seus sentimentos e possibilidades.

Imaginem agora se todas as pessoas da mesma cidade só conhecessem histórias de saci e lobisomem. Chega na cidade o grupo do Oriente trazendo histórias de califas e odaliscas, nunca antes ouvidas.

Respondam: o que pode acontecer?

Essas analogias nos permitem entender o que muda quando o novo penetra em nosso mundo, as dificuldades de aceitação, o acréscimo que pode significar e a mudança que pode provocar.

Existe uma estreita relação entre produção de textos e leitura. Segundo Citelli (5), a escrita constante pode despertar maior interesse pela leitura. O pressuposto subjacente é que durante o percurso da escrita, os alunos tendem a se expressar cada vez melhor com menos clichês e mais identidade.

Nem tudo que nos apresentam ou que conhecemos tem unanimidade. Podemos falar em tendências, cada classe social, cada bairro, cada sala de aula têm características próprias pois vivem histórias de vida similares. Assim, o professor pode dizer: ‘- minha classe gosta de livros de aventuras’, ou ‘minha classe adora gibis’, como um bloco, mas devemos oferecer opções e respeitar as diferenças.

A leitura e a escrita são, portanto, construídas ao longo da vida escolar com respeito à individualidade, incentivo à narração pessoal, desejo de ser lido ou ouvido.

Os passos da escrita criativa:

1 – narrar e escrever tudo e sempre como uma rotina escolar.

2 – encontrar com o professor e colegas um assunto de interesse para escrever.

3 – começar com o que Lucy McCalkins (4) chama de ensaio, uma primeira escrita.

4 – esboço ou desenvolvimento da escrita. “Ponha no papel”, diz o escritor W. Faulkner, “aproveite a chance. Pode ser mau, mas este é o único modo pelo qual você poderá fazer algo realmente bom”.

5 – revisão – ver novamente, ler para os colegas e professor e reescrever em todas as etapas.

6 – edição – fazer o texto excrito circular, mesmo entre os colegas. Quem escreve, escreve para ser lido e, às vezes, a escola engaveta e só corrige os escritos e esquece do seu autor.

Vamos descrever alguns exemplos de exercícios de desbloqueio da escrita criativa:

1 – o professor sugere: “Abri a gaveta e encontrei…”. O aluno continua o texto escrevendo com: palavras que tenham 2 ou 3 sílabas, comecem com p, m ou s, rime, etc.

2 – o professor leva um texto com ausência de pontuação para os alunos lerem e pontuarem.

3 – o professor dá um poema e pede paráfrase com modificações do personagem, do cenário, etc.

4 – imaginar um personagem não humano, descrevê-lo com características humanas.

5 – pensar o que existe no mar e adjacências e escrever um período combinando palavras pelo parentesco sonoro, ex: areia com ceia, alga com algo.

6 – o professor escolhe algumas palavras, ex. – dia – e os alunos devem atribuir um sentido comum e um sentido figura à palavra.

7 – ad-verso: o professor dá dois versos de uma quadra e pede que os alunos emendem com outros dois versos de um outro assunto.

Esses exercícios podem ser trocados, completados em duplas, dramatizados, tec. Nessa etapa ainda não está em pauta o conteúdo, mas o desbloqueio da escrita.

Referências bibliográficas e sugestões de links:

1 – Poesia não é difícil, Moisés, Carlos Felipe ed. Artes e Ofícios 1996
2 – Diálogos com Bakhtin, Castro, Faraco, Tezza (org) cap. 7 Kramer, Sonia ed. UFPR 2001
3 – Literatura: arte, conhecimento e vida, Coelho, Nelly Novaes ed. Peirópolis 2000
4 – A arte de ensinar a escrever, Calkins, Lucy McCormick ed. Artmed 1986
5 – Produção e leitura de textos, v. 7, Citelli, Beatriz ed. Cortez 2001
6 – Trabalhando com poesia, Beraldo, Alda ed. Ática 1990
7 – Oficina de linguagem, Condemarín, M., Galdames, V., Medina, ª ed. Moderna 2002
8 – www.ulissestavares.com
9 – www.anamariamachado.com
10 – www.clubedoskaras.kit.net
11 – www.paralelos.org
12 – www.lyrics.com
13 – www.luispeaze.com
14 – www.snopes.com

*Miriam Mermelstein é pedagoga e autora de obras de Literatura Infantil, tendo ministrado as oficinas “A poesia em sala de aula” e “Abraçando a palavra” no CRE Mario Covas, durante o 1º semestre de 2004

Por:Miriam Mermelstein
Fonte: CRE

CONVITE

06/05/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Cerimônia de entrega da doação de livros e cadernos arrecadados para o projeto “África na Escola” do Centro Cultural Africano e apresentação dos vinhos do Chile e Portugal da Lusitano Import (www.lusitanoimport.com.br).

COQUETEL
Dia 14 de maio – 6a.feira – 19 as 22 horas
Salão Nobre do Hotel Tryp Higienópolis
Rua Maranhão, 371 – próx. Av. Angélica

Favor confirmar presença através do e-mail:
mauricioimprensa@yahoo.com.br ou fone: 9803.9796

Realização: Tryp Higienópolis
Organização: Maurício Coutinho

Parcerias:
Casa Castro
Débora Vaidegorn
Quality Asses. Comun.
Pão de Açúcar/Higienópolis
Tatiana Bandeira de Mello

1ª Semana Municipal de incentivo à leitura e ao estudo

15/04/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

A partir deste ano, a segunda semana de abril será o período dedicado ao Incentivo ao Estudo e à Leitura, de acordo com a Lei nº 14.999, publicada em 20 de outubro de 2009, de autoria do vereador e professor Eliseu Gabriel.

A lei de Eliseu, que também é educador, coloca em reflexão a necessidade do estudo e da leitura na formação do cidadão. O parlamentar acredita que é importante estimular o gosto pela leitura, para buscar a conscientização de pais, mestres e familiares que incentivem o estudo, não apenas como desenvolvimento profissional, mas sim como desenvolvimento humano e intelectual.

Pequenos gestos como comprar um livro à um amigo, debater autores, promover feira de livros e palestras que trarão o interesse dos mais jovens em praticar a leitura. Eliseu acredita que sua lei contribuirá desta forma.

“Ler é muito prazeroso e estimula o desenvolvimento intelectual, além de melhorar o desempenho dentro da sala de aula. Pais, professores e todos aqueles que estão ligados à educação e orientação de uma criança devem oferecer esse estímulo”, argumenta Eliseu.

Veja a lei na integra:

LEI Nº 14.999 DE 20 DE OUTUBRO DE 2009

ALTERA A LEI Nº 14.485, DE 19 DE JULHO DE 2007, PARA INCLUIR A SEMANA MUNICIPAL DE INCENTIVO E ORIENTAÇÃO AO ESTUDO E À LEITURA, A SER REALIZADA, ANUALMENTE, NA SEGUNDA SEMANA DE ABRIL E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

(PROJETO DE LEI Nº 535/08)
(VEREADOR ELISEU GABRIEL – PSB)

Antonio Carlos Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, faz saber que a Câmara Municipal de São Paulo, de acordo com o § 7º do artigo 42 da Lei Orgânica do Município de São Paulo, promulga a seguinte lei:

Art. 1º Acresce alínea ao inciso LXXVI, do art. 7º, Capítulo II, da Lei nº 14.485, de 19 de julho de 2007, incluindo a Semana Municipal de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura, a ser realizada, anualmente, na segunda semana de abril.

Art. 2º A Prefeitura Municipal de São Paulo, para atingir os objetivos desta propositura, através de seus órgãos competentes, poderá publicar textos de orientação e incentivo ao estudo e à leitura, assim como realizar as mais variadas atividades de motivação, tais como: palestras, simpósios, shows, concursos, gincanas, atividades lúdicas e outras correlatas. Poderá, ainda, suscitar a celebração de convênios com entidades governamentais e não-governamentais, estabelecer parcerias com instituições públicas e privadas de ensino em todos os níveis, devidamente reconhecidas, e demais órgãos da sociedade civil; obter apoio, buscar promoção e promover ampla divulgação junto aos mais diversos meios de comunicação.

Art. 3º As despesas com a execução desta lei correrão por conta de dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.

Art. 4º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Câmara Municipal de São Paulo, 20 de outubro de 2009.

O Presidente, Antonio Carlos Rodrigues

Publicada na Secretaria Geral Parlamentar da Câmara Municipal de São Paulo, em 20 de outubro de 2009.

O Secretário Geral Parlamentar, Breno Gandelman

DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/10/2009

A Importância da Leitura na Sociedade Contemporânea e o Papel da escola Nesse Contexto

14/04/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Por: Maria Thereza Fraga Rocco

O aperfeiçoamento da imagem, por exemplo, provocou inquietações e levou até mesmo a previsões catastróficas em relação ao futuro da leitura e do livro. Temia-se que a era de Gutemberg estivesse prestes a ser tragada pelo poder incomensurável das transmissões eletrônicas, do laser, dos satélites.”

“Reclama-se sempre que a criança e o jovem não lêem e não gostam de ler. Afirmações peremptórias como essas, gratuitas e, no mais das vezes, maldiscutidas transformam-se em preconceito cristalizado que vai penetrando acriticamente em pessoas e grupos, acabando por se transformar em dogma. E uma vez o dogma absorvido, muito mais difícil se torna reverter situações indesejadas.”

“A criança, o jovem que estuda – e também o adulto – , todos gostam de ler e lêem razoavelmente. Mas, salvo exceções, não suportam ler na escola, já que os textos que lhes são propostos quase nunca despertam, mesmo sendo textos considerados clássicos, o necessário prazer que deve presidir toda a atividade do leitor. Lêem mais por exigência de uma avaliação, muitas vezes, draconiana; lêem para poderem responder às questões pouco interessantes e unidirecionais dos livros didáticos e cujas respostas são exigidas e avaliadas pelo professor. Quase nunca a leitura vem ligada à satisfação. Quase nunca a leitura corre em um espaço socializado e aberto.

Escola líder em SP envolve pais em leitura

26/03/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Colégio estadual Professor Astor Vasques Lopes, de Itapetininga, busca participação da família e trabalho em equipe

Instituição, com 380 estudantes, atende sobretudo público de baixa e média renda; alunos são o “centro da proposta”, diz diretora

MAURÍCIO SIMIONATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CAMPINAS

Incentivo à leitura, envolvimento constante dos pais e trabalho em equipe. Esses são alguns dos requisitos apontados por familiares de alunos e pela direção da escola estadual Professor Astor Vasques Lopes, de Itapetininga (172 km de SP), para justificar o primeiro lugar entre as instituições do Estado.

A escola, que fica no Jardim Brasil, periferia da cidade, foi eleita a melhor do Estado da 1ª à 4ª série do ensino fundamental. “Meu filho passou a escrever melhor depois que mudou para lá, há dois anos”, diz a dona de casa Roseli Moreira, 44, mãe de Lucas, 9, da 3ª série.

Segundo ela, o projeto Leitura em Família incentiva a leitura e a participação dos pais.

A Astor Vasques Lopes tem 380 alunos nos períodos matutino e vespertino. Inaugurada em 1986, atende sobretudo alunos de baixa e média renda.

Outro ponto destacado pela mãe é a educação alimentar. “Aqui não são vendidos frituras, salgadinhos e refrigerantes na cantina”, afirma Roseli.

Entre os principais projetos interdisciplinares e permanentes apontados pela direção da escola como “diferenciais”, estão o Roda da Leitura -que incentiva a criança a ler e a escrever- e o Brincando com a Matemática -que promove competições entre alunos, como torneios de tabuada e xadrez.

“A principal proposta da escola é manter um acompanhamento diário do aluno, mantendo o diálogo e a autoestima dos estudantes e professores”, afirma a diretora, Arlete Milanezi Ansbach.
Segundo ela, o primeiro lugar é um prêmio para os alunos, que são o “centro da nossa proposta de ensino”.

Capital

A escola que obteve a segunda colocação entre as instituições da capital fica a 26 km da centro. Alunos da Professora Rita Pinto de Araújo afirmaram que neste ano perderam só uma aula, de educação física, substituída por leitura. O colégio fica entre Sapopemba e Cidade Tiradentes (zona leste).
A escola mais bem colocada, a Professora Irene Ribeiro, também fica na zona leste.

Sobre o gosto da leitura na escola

19/03/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

Miriam Mermelstein

A autora enumera alguns pressupostos para a introdução dos alunos no mundo da literatura, como a importância de ter um ambiente cultural no qual o livro esteja presente, de ampliar o repertório do aluno apresentando-o a uma diversidade de gêneros textuais, de ensinar a ler com prazer, de respeitar as escolhas dos jovens diante do universo desvelado pelos livros. Aborda ainda a estreita ligação entre o ler e o escrever, oferecendo sugestões de exercícios para o desbloqueio da escrita criativa.
 

O professor de literatura e crítico literário, C. F. Moisés, com quem estudo há 10 anos, na apresentação de seu livro “Poesia não é difícil” cita questões muito comuns de serem ouvidas na escola: ‘Como posso gostar de poesia se não a entendo?’ ‘E como entender sem gostar?’ (1)

Ficamos em um círculo vicioso, uma armadilha, afirma o autor, pois como saber se gostamos (ou não) se não a conhecemos? Aí entra o papel do professor educador e mediador da cultura em introduzir novos conteúdos e novas experiências no mundo do aluno.

Mas como? Eis a questão crucial. O objetivo deste texto é enumerar alguns pressupostos e algumas atividades de linguagem como idéias a serem adaptadas por vocês, professores, em seus planos.

Um pressuposto refere-se à significação de um ambiente cultural na formação do leitor. Desde muito pequenos, os alunos podem ‘ler’ textos, entendido o verbo de forma não literal: quando o professor lê para a classe, quando o aluno conta suas vivências na roda, quando o aluno ouve o colega contar ou descrever algo, quando o aluno ouve uma cantiga e sua letra, quando o aluno ‘lê’ ilustrações de um livro, quando ele tem acesso constante aos livros da sala ou da biblioteca, quando sabe que a leitura é uma atividade valorizada pelo professor.

Sabemos das dificuldades de obtenção e veiculação de livros nas escolas. Bibliotecas sem bibliotecários, livros não tombados e, portanto, não passíveis de circulação, mas sabemos também que existem outras formas de contornar essa situação. Saraus, pedidos em editoras, mutirões do livro, de organização das salas de leitura, feiras culturais, intercâmbios entre classes, cartas a autoridades competentes, etc. são alguns dos recursos que a escola deve utilizar para garantir o acesso do aluno ao livro.

Outro pressuposto refere-se ao grau de complexidade dos textos e das atividades com textos. Não devemos poupar os alunos de novos desafios. A função da escola é ensinar novidades, ampliar o repertório do aluno com exposição de maior diversidade de gêneros textuais. A dosagem e as exigências serão planejadas considerando que a formação do leitor é um processo de amadurecimento. Quanto antes começar, mais sentido fará na vida do aluno-leitor.

O livro é um objeto inserido em um contexto. Tem autoria, propósito, um tempo e um espaço delimitado (de criação e de circulação). Saber sobre o autor e sua época, conhecer suas condições de produção ajuda a inferir sobre outros tempos e outros espaços. Um exercício interessante é o de comparar textos literários de uma mesma temática, mesmo local e épocas diferentes, ou textos oriundos de culturas diferentes abordando o mesmo tema. “É a polifonia e a pluralidade contra o monólogo e a palavra autoritária”. (Sonia Kramer) (2) Intertextualidade. Por exemplo, mixar conteúdos da História com textos literários também é um recurso em que ambas as áreas ficam enriquecidas.

Sabemos que a escola tem um plano a cumprir e dentro dele as atividades de linguagem que devem ser realizadas e avaliadas. Ensinar a ler com prazer, a tirar proveito pessoal da leitura esbarra quase sempre na questão do número de alunos na sala para acompanhar e na dificuldade em avaliar objetivamente o aproveitamento, o prazer e a fruição. Mas sem paixão não avançamos. Principalmente quando pisamos na seara da literatura. Ensinar as características estruturais dos gêneros, as combinações lingüísticas possíveis em um texto, a organização das palavras, a comunicação de idéias não devem matar o prazer, não podem impedir que a leitura faça sentido pessoal e íntimo na vida do aluno.

Outro pressuposto é respeitar a escolha do aluno. Imaginem uma pequena cidade em que seus habitantes só conhecem comida brasileira. Vivem tranqüilos sem saber ou sem querer saber o que existe de diferente lá fora. Aí chega um grupo de imigrantes do Oriente trazendo seus costumes, temperos e especiarias. O que pode acontecer?

A – os dois grupos não se comunicarem.

B – os dois grupos trocarem suas especificidades e criarem um terceiro grupo.

C – os dois grupos aceitarem as mútuas contribuições, mas manterem sua identidade.

Esse é um exemplo do que pode acontecer com quem tem contato com o conhecimento. Transformação. Mas não acontece de imediato, nem uniformemente. É um processo e, como tal, é variável. Especificamente na arte, e dentro dela na literatura, esse processo tem finalidade de aumentar a autoconsciência humana. “A literatura é um autêntico e complexo exercício de vida, que se realiza com e na linguagem”. Nelly N. Coelho (3)

As possibilidades combinatórias são muitas e cada um responde de acordo com sua história, seus sentimentos e possibilidades.

Imaginem agora se todas as pessoas da mesma cidade só conhecessem histórias de saci e lobisomem. Chega na cidade o grupo do Oriente trazendo histórias de califas e odaliscas, nunca antes ouvidas.

Respondam: o que pode acontecer?

Essas analogias nos permitem entender o que muda quando o novo penetra em nosso mundo, as dificuldades de aceitação, o acréscimo que pode significar e a mudança que pode provocar.

Existe uma estreita relação entre produção de textos e leitura. Segundo Citelli (5), a escrita constante pode despertar maior interesse pela leitura. O pressuposto subjacente é que durante o percurso da escrita, os alunos tendem a se expressar cada vez melhor com menos clichês e mais identidade.

Nem tudo que nos apresentam ou que conhecemos tem unanimidade. Podemos falar em tendências, cada classe social, cada bairro, cada sala de aula têm características próprias pois vivem histórias de vida similares. Assim, o professor pode dizer: ‘- minha classe gosta de livros de aventuras’, ou ‘minha classe adora gibis’, como um bloco, mas devemos oferecer opções e respeitar as diferenças.

A leitura e a escrita são, portanto, construídas ao longo da vida escolar com respeito à individualidade, incentivo à narração pessoal, desejo de ser lido ou ouvido.

Os passos da escrita criativa:

1 – narrar e escrever tudo e sempre como uma rotina escolar.

2 – encontrar com o professor e colegas um assunto de interesse para escrever.

3 – começar com o que Lucy McCalkins (4) chama de ensaio, uma primeira escrita.

4 – esboço ou desenvolvimento da escrita. “Ponha no papel”, diz o escritor W. Faulkner, “aproveite a chance. Pode ser mau, mas este é o único modo pelo qual você poderá fazer algo realmente bom”.

5 – revisão – ver novamente, ler para os colegas e professor e reescrever em todas as etapas.

6 – edição – fazer o texto excrito circular, mesmo entre os colegas. Quem escreve, escreve para ser lido e, às vezes, a escola engaveta e só corrige os escritos e esquece do seu autor.

Vamos descrever alguns exemplos de exercícios de desbloqueio da escrita criativa:

1 – o professor sugere: “Abri a gaveta e encontrei…”. O aluno continua o texto escrevendo com: palavras que tenham 2 ou 3 sílabas, comecem com p, m ou s, rime, etc.

2 – o professor leva um texto com ausência de pontuação para os alunos lerem e pontuarem.

3 – o professor dá um poema e pede paráfrase com modificações do personagem, do cenário, etc.

4 – imaginar um personagem não humano, descrevê-lo com características humanas.

5 – pensar o que existe no mar e adjacências e escrever um período combinando palavras pelo parentesco sonoro, ex: areia com ceia, alga com algo.

6 – o professor escolhe algumas palavras, ex. – dia – e os alunos devem atribuir um sentido comum e um sentido figura à palavra.

7 – ad-verso: o professor dá dois versos de uma quadra e pede que os alunos emendem com outros dois versos de um outro assunto.

Esses exercícios podem ser trocados, completados em duplas, dramatizados, tec. Nessa etapa ainda não está em pauta o conteúdo, mas o desbloqueio da escrita.

Fonte: Centro de Referência em Educação Mário Covas

Biblioteca do Futuro

01/03/2010 por admin · Deixe o seu Comentário! 

INSTALADA NA ÁREA DO ANTIGO CARANDIRU, A BIBLIOTECA DE SÃO PAULO TERÁ ESTRUTURA ADAPTADA PARA TODOS OS TIPOS DE DEFICIENTES E SE APROXIMA DO CONCEITO DE ESPAÇO DE LAZER DAS GRANDES LIVRARIAS

pavilhão das letras

por Maria Eugênia de Menezes

Uma nova categoria de livrarias mudou o cenário cultural de São Paulo nos últimos anos. São lojas acolhedoras, que nasceram com a ambição de ser mais que simples locais de venda de livros, e, rapidamente, foram adotadas pelos paulistanos como pontos de encontro.

Fazem parte desse grupo a Livraria Cultura, que ocupou com uma loja de três andares o espaço do antigo cine Astor no Conjunto Nacional; e a Livraria da Vila da alameda Lorena, na qual o afamado arquiteto Isay Weinfeld criou um ambiente sofisticado, com café, auditório e uma área dedicada às crianças.

Na segunda (dia 8), a cidade ganha outro endereço do gênero: a Biblioteca de São Paulo. Só que, desta vez, trata-se de um equipamento público. Instalada no parque da Juventude, na área da antiga Casa de Detenção do Carandiru, a nova biblioteca se inspirou no conceito das grandes livrarias da cidade para conquistar seus leitores. “A ideia é que ela pareça uma ‘megastore’ pública”, diz o secretário de Cultura do Estado, João Sayad. “Ela deve ter tudo aquilo que essas lojas oferecem, mas estará aberta para atender a todos.”

A biblioteca custou cerca de R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do Estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura). E, para atrair seus futuros usuários, não investiu apenas na compra de novos livros. Além de dispor de outras mídias, como CDs e DVDs, o projeto centrou esforços na decoração do prédio, na oferta de tecnologia e em uma estrutura completamente acessível e preparada para atender aos deficientes físicos.

Iguais, mas diferentes
Os serviços especiais para deficientes incluem mesas reguláveis, que se adaptam a qualquer tamanho de cadeira de rodas, folheadores automáticos de páginas, para aqueles que perderam os movimentos das mãos, e também computadores com telas, teclados e mouses adaptados.

Usuários cegos terão ainda mil títulos de “audiobooks” e um equipamento que, instantaneamente, é capaz de transpor obras literárias convencionais para faixas de áudio ou placas em braile. “Isso deve ampliar muito as opções de livros para cegos”, afirma Adriana Ferrari, gestora do projeto e assessora da secretaria de Cultura.

Uma equipe de atendentes também está sendo treinada para recepcioná-los. “Não dá para ser um atendimento padrão. Não pode ser invasivo nem muito distante”, diz ela. “Temos que tratar a diferença para que eles sejam incluídos.” A tentativa de satisfazer necessidades e predileções de todos os públicos levou o projeto a abarcar itens normalmente deixados de lado. Em uma sala reservada, o visitante terá acesso a um material proibido para menores de 18 anos. São livros e periódicos com conteúdo violento ou de teor erótico. “Não queremos censurar nada. As pessoas devem encontrar aqui tudo o que estão buscando”, afirma Adriana. “Por isso, tem que ter a ‘Playboy’ também.” A inspiração para este e muitos outros serviços oferecidos pela instituição, ela explica, veio da Biblioteca de Santiago, no Chile.

Assim como na congênere sul-americana, a Biblioteca de São Paulo dedica grande parte de seus 4.200 m2 aos mais jovens. Todo o andar térreo está dividido em alas para três faixas etárias: até três anos, de quatro a 11 anos e de 12 a 17 anos. Ali, poltronas coloridas e pufes se misturam a estantes baixas -projetadas sob medida- nas quais livros, discos e filmes ficam misturados e expostos diretamente ao público.

Também estarão à disposição cem computadores, com livre acesso à internet, dezenas de jogos eletrônicos e um aparelho Kindle, o livro digital da Amazon. “É uma tentativa de atrair o não leitor”, afirma Sayad. “Se o hábito de ler voltar a ser moda algum dia, podemos fazer uma biblioteca escura, austera. Hoje, para conquistar o público de não leitores, ela precisa ser assim.”

Estratégia de sedução
O esforço para seduzir os frequentadores pautou a escolha do espaço -próximo ao metrô- e o projeto arquitetônico, que contemplou um café, uma varanda com espaço para shows e saraus e um auditório. “Teremos uma programação de cursos e oficinas voltada, inclusive, para temas que não estão ligados à literatura, como o grafite”, conta a diretora da biblioteca, Magda Montenegro.

Ela também promete um horário expandido de atendimento – pelo menos até as 21h de segunda a sexta, e até as 19h, aos sábados, domingos e feriados. “Não dá para fechar na mesma hora da repartição pública. A intenção é que as pessoas venham para cá depois do trabalho.”

A busca pelo público não parou por aí. Para selecionar o acervo de 30 mil livros e 4.000 CDs e DVDs, a equipe da biblioteca levou em conta, essencialmente, a popularidade das obras.

Os cânones literários foram contemplados. Mas, assim como ocorre nas livrarias comerciais, Victor Hugo e Fernando Pessoa terão que dividir as prateleiras e as atenções com os best-sellers e os líderes das listas dos mais vendidos.

Não ficaram de fora os controversos livros de autoajuda, os romances de temática espírita nem os recentes hits do mercado editorial, como os volumes da saga “Crepúsculo”. Jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, completam a oferta.

“Não dá para medir por quantos Paulo Coelho uma pessoa precisa passar para chegar a um Machado de Assis”, pondera a coordenadora do projeto. “Queremos que todos leiam aquilo que tiverem vontade.”

Após a inauguração, explica o secretário, a intenção é que a instituição passe a funcionar como uma central para as 961 bibliotecas públicas dos municípios paulistas. Sua administração ficará a cargo da Poesis, a mesma organização social que está à frente do Museu da Língua Portuguesa e da Casa das Rosas.

Cerca de R$ 1 milhão será investido anualmente na aquisição de novas obras. “Não se trata de acumular muitos livros, mas de renová-los constantemente”, defende Sayad. “O segredo do sucesso dessa biblioteca é saber comprar os livros sem nenhuma intenção professoral.” Oferecer obras para todos os gostos e em todos os formatos para fisgar o inquieto leitor do século 21.

como ser sócio
Para fazer a carteirinha da Biblioteca, basta apresentar documento de identidade e comprovante de residência. Aqueles que não têm domicílio fixo, caso dos moradores de rua, também poderão fazer empréstimos de livros. “Acreditamos que as pessoas irão devolver”, diz Adriana Ferrari, gestora do projeto

no lugar do carandiru
A nova biblioteca foi construída no parque da Juventude. A área, onde já funcionou o antigo Complexo Penitenciário do Carandiru, foi transformada em parque em 2007. Hoje, oferece dez quadras poliesportivas, pista de skate, alamedas e bosque. Fica no bairro de Santana e tem acesso pelo metrô Carandiru

Fonte: Revista da Folha

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